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ENTREVISTAS

ENTREVISTAS XV

FREDERICO M. SIMÕES

Olá Frederico, Tenho 15 perguntas para te colocar sobre ti e o nosso Belenenses.

Desde já obrigado por teres aceite o desafio.

Belenenses Rugby : O tua idade e profissão ?

Frederico Simões : 17 anos e sou estudante

BR : Ha quantos anos jogas rugby e sempre jogaste no Belenenses ?
FS: Jogo a 8 anos e sempre joguei de cruz ao peito.

BR : Jogas a que posição ? Preferes jogar a mais alguma posição ?
FS: jogo na primeira linha mas dentro da primeira linha prefiro jogar a talonador

BR : Lembras-te do teu primeiro jogo ?
FS : Lembro me que foi no restelo contra a Direito mas não me perguntes quanto ficou porque não te sei dizer

BR : Qual o teu melhor momento enquanto jovem jogador ?
FS : Tive vários nestes últimos três anos, não há só um melhor momento. Este ano por exemplo estive no campeonato da Europa e ganhamos tudo com exceção da taça. O ano passado foi incrível também, ganhamos os jogos todos da época menos um que nos custou o titulo mas foi muito bom. Há três anos, também ganhamos tudo, por isso não consigo escolher um.

BR : Tens cuidados especiais com a alimentação ?
FS :Tenho, vou de mês a mês a uma nutricionista que me faz um plano alimentar

BR : De que forma o Rugby te ajudou na tua vida de estudante ?
FS : Ajudou-me muito pois permitiu-me manter mais focado, pois sabia que ia ter treinos e jogos, e ter de ir ao ginásio e claro, tinha de estudar. Tudo isto fez com que ganhasse responsabilidade.

BR : Como consegues conciliar os treinos com os teus estudos, com a família e a namorada?
FS :Há tempo para tudo desde de que nos mantenhamos focados nos nossos objetivos. Quem corre por gosto não cansa.

BR : Com que jogador gostarias de ter oportunidade de jogar um dia? Talvez o teu irmão mais velho ?
FS : Sim claro, partilhar campo com o meu irmão mais velho seria um sonho,

BR : Como vês a seleção nacional ? É um objetivo teu para o futuro ?
FS : Claro que sim, adoro representar a seleção nacional, é um orgulho.e o meu objetivo e continuar a trabalhar para merecer convocatórias.

BR : Tens feito muitos amigos no rugby ? Achas que vão fazer parte da teu leque de amigos quando deixares de jogar ?
FS : Não tenho duvidas, são amigos para a vida. Quase que passamos mais tempo com eles que com a nossa própria família, entre treinos, balneário, jogos, viagens. Falamos muito, damos nos muito bem.

BR : Já foste Campeão Nacional pelos Sub 16 e venceste a Taça de Portugal no mesmo ano. Como sentiste este ano ganhar novamente o Campeonato mas, desta vez em sub 18 ?
FS : Foi diferente, em ambos foi muito bom pois sempre senti que os treinadores confiavam em mim, mas este ano, depois de o ano passado termos perdido no ultimo jogo, estava-nos atravessado, por isso soube muito bem ganhar este ano outra vez.

BR : Esta época foi diferente pelas varias paragens no campeonato. Tens algum momento que te marcou mais , e como te sentiste na pela de capitão ? Ja tinhas sido nos escalões mais abaixo ?
FS : O momento que me marcou mais foi o jogo que fazemos em casa contra o Direito, onde nas duas primeiras jornadas, uma tinhamos perdido e outra empatado, neste jogo com o Direito estamos a perder e um dos nossos levou vermelho mas a partir dai, via-se nos olhos de todos os que la estavam as ganas de ganhar, e ganhamos com menos um. Esse jogo foi talvez o momento que mais me marcou este ano. Ser capitão foi muito bom mas foi uma grande responsabilidade ao mesmo tempo, pois temos de tomar decisões que podem ou não prejudicar a equipa, temos não só de olhar para nos mesmos como para todos os que estão a jogar comigo, falar com eles e saber puxa-los para cima.

BR : Na próxima época vais subir aos seniores. Como achas que vai ser … diferentes desafios , objetivos diferentes, fala-nos disso ?
FS : Na próxima época, vai ser o primeiro ano de seniores e vamos ver como corre, sei que vai ser muito difícil ganhar um lugar mas e para isso que vou trabalhar. Os objetivos não creio que sejam diferentes pois eu começo todas as épocas com os mesmos objetivos, ganhar um lugar na equipa e a confiança dos treinadores e depois ganhar todos os jogos.

BR : Como vês o futuro do rugby do Belenenses agora que o Belenenses Rugby Park está em andamento e finalmente vamos ter um campo nosso ?
FS : Foi muito bom para o clube, para termos o nosso próprio campo, onde vamos estar habituados a treinar, não como nestes anos que nunca sabemos onde vão ser os jogos e treinamos em vários sítios.

BR : Obrigado Fred pelo teu contributo para nosso Rugby e ao Belenenses
FS : Obrigado Eu.

MIGUEL FREUDENTHAL

Olá Miguel,
Desde já obrigado por teres aceite o desafio.

BELENENSES RUGBY: A tua idade e profissão Miguel?

MIGUEL FREUDENTHAL : ,Tenho 56 anos , Gestor de Empresas

BR : Quantos anos jogaste rugby e sempre jogaste no Belenenses ?
MF: 20 anos. Em Portugal sempre no Belém. Estudei em Inglaterra e lá joguei pela Thames Polytechnic durante 3 anos.

BR : Jogaste a que posição ?
MF: Primeiro 15, depois 13 e por fim na 3ª linha (6 ou 8)

BR : Lembras-te do teu primeiro jogo, senior ?
MF : Sim, claro, foi uma emoção. Tinha 17 anos, no pelado do Restelo contra o Técnico, e ao lado dos Grandes Costa, Spinola e Guerreiro

BR : Qual o teu melhor momento enquanto jogador ?
MF : Em seniores nunca ganhei nenhum troféu. Mas conseguimos ganhar ao campeão espanhol, em digressão a Madrid em maio de 1985. Grande memória desse jogo!

BR : Tinhas cuidados especiais com a alimentação ?
MF : Não. Nessa altura não se pensava nisso.

BR : De que forma o Rugby te ajudou na tua vida profissional / de estudante ?
MF : Desde logo facilitou-me a entrada na Universidade em Londres porque em Inglaterra as Escolas e Universidades dão muito valor a quem pratica desportos. Na minha vida profissional ajuda-me a ser mais resiliente, paciente e lutador quando pretendo atingir um qualquer objetivo.

BR : Como conseguiste / consegues conciliar os treinos com o teu trabalho / estudos e com a familia?
MF : Foi e continua a ser uma questão de prioridades, e de ter uma vida equilibrada entre os estudos, profissão, família e os nossos hobbies. Há tempo para tudo, basta querer. Os treinos fazem parte da minha paixão e por isso nunca faltei a um único treino na minha vida. Como nunca faltei a nenhum jogo!

BR : Com que jogador gostarias de ter tido oportunidade de jogar um dia?
MF : O capitão dos Springboks, vencedor do campeonato do mundo em 1995, François Pienaar.

BR : Alguma vez foste internacional por Portugal ? Se sim , como descreves a tua 1ª internacionalização? Se não é algo que sentes que te falta enquanto jogador de rugby?
MF : Fui capitão da seleção nacional de Juvenis, internacional Júnior e Sénior B.
Como Sénior A nunca vesti a camisola das quinas, por isso acho que não vale a pena mencionar a minha internacionalização enquanto atleta juvenil. Mas obviamente trabalhei muito para isso, só que nunca mereci ser eleito pelo treinador da altura.
As saudades de ser jogador são imensas! Muitas saudades do cheiro da cabine, das palestras do Tó Miranda e do Professor Olegário, e do sabor das vitórias!

BR : A nível internacional qual o jogador com quem te identificavas?
MF : Jean Pierre Rives e mais tarde François Pienaar

BR : Fizeste muitos amigos no rugby, calculo eu. Hoje em dia fazem parte do teu núcleo mais restrito de amizades?
MF : Quase todos os meus amigos atuais jogaram comigo no Belém. É uma cumplicidade que nunca se perde. Amigos para sempre!

BR : És o principal responsável do Rugby do Belenenses ha quanto tempo, e tencionas continuar a ser o Presidente da seção por quantos anos?
MF : Sou presidente da XV, a associação que tem os destinos do Rugby do Belenenses há 4 anos. Tenho mandato até 2019 e tenciono cumprir com o compromisso assumido. A seguir logo se vê. Depende do que os associados determinarem. Pronto para ajudar estou sempre, seja qual o cargo que ocupe – nem que seja como adepto.

BR : Quais os objetivos do rugby do Belenenses para a próxima época, a nivel desportivo ?
MF : O Belenenses vai continuar a trilhar o seu caminho, apostando nos seus jovens valores (que os há, e muitos) e vai continuar a apostar forte na formação. Somos ambiciosos, mas temos os pés na terra. A equipa sénior vai continuar a ser reforçada e vai lutar com os seus jovens por melhorar a sua classificação em relação à época passada. Em breve seremos campeões!

BR : Como vês o futuro do rugby do Belenenses agora que o Belenenses Rugby Park está em andamento e finalmente vamos ter um campo nosso ?
MF : Com grande otimismo! Com as nossas futuras instalações, o Belenenses voltará em breve a ser o maior e melhor Clube de Rugby em Portugal. Não tenho dúvida. Se somos o que somos sem instalações, com a nossa “casa” seremos imparáveis!

BR : Obrigado Miguel pelo teu contributo para nosso Rugby e ao Belenenses
MF : Obrigado eu por este momento, e desejo de boas férias a todos!

BERNARDO S. CARDOSO

Desde já obrigado por teres aceite o desafio.

Belenenses Rugby : A tua idade e profissão Bernardo S.Cardoso ?​

Bernardo S. Cardoso : 23 anos e estou neste momento na transição de estudante para analista financeiro.

BR : Ha quantos anos jogas rugby e sempre jogaste no Belenenses ? 
BSC: Jogo rugby há 18 anos e começei no CDUP onde joguei durante 5 anos. Estou no Belenenses há 13 anos.

BR : Posição preferida , visto que costumas jogar a centro e ponta ? 
BSC: Gosto das duas posições mas prefiro jogar a centro porque estou mais envolvido no jogo e tenho mais intervenções tanto a defender como a atacar.

BR : Quais as características que um jogador na tua posição deve ter? 
BSC : Mais a centro do que a ponta, sinto que é necessário ter uma de duas características: forte no contacto e a desiquilibrar a defesa ou com sólidos handing skills. Dado que falhar placagens em jogo aberto significa muitas vezes conceder ensaios, é também muito importante que um centro seja um bom defesa. Uma boa placador individual, mas tão importante como a placagem, saber defender bem no colectivo: placar alto quando é preciso conter a bola, correr para trás se houver inferioridade numérica, deslizar, manter canais… Ser rápido/explosivo, ter poder de decisão e conhecer o jogo são extras que ajudam muito a completar um bom centro.

BR : Lembras-te do teu primeiro jogo, senior ? 
BSC : Lembro-me muito bem. Foi contra o Técnico nas Olaias, um jogo de treino onde ganhámos e tive a sorte de me estrear com um ensaio. Lembro-me que joguei a segundo centro e foi muito fácil de jogar porque ao meu lado estava o Diogo Mateus que placava tudo o que mexia e me ajudava muito na colocação em campo e me dava muitos conselhos o que tornou tudo mais simples e ajudou a dissipar o nervosismo.

BR : Qual o melhor momento enquanto jogador ? 
BSC : O momento rugbístico mais marcante que tive foi quando nos sevens empatámos contra a Nova Zelândia num estádio cheio em Hong Kong com o público todo a puxar por nós. Ficará para sempre!

BR : Tens cuidados especiais com a alimentação ?
BSC : Faço um esforço por comer sopa todos os dias para não me faltarem vegetais e legumes e tento ter uma alimentação mais ou menos variada, mas nada de muito rígido. Tento sempre comer no máximo até 45 minutos depois de ter treinado no campo ou ginásio para evitar que o corpo começe a ir buscar reservas contribuindo para a perca de peso.

BR : Como conseguiste / consegues conciliar os treinos com o teu trabalho / estudos e com a familia?
BSC : Eu tive a sorte de conseguir gerir bem as duas vertentes e de ter uma família e namorada que sempre me apoiaram em tudo.
Sempre me foi importante, mesmo (e principalmente) nas alturas de exames, ter um treino no fim do dia que me ajudava a dispersar do estudo. Tirando as vésperas dos testes (e mesmo assim, depende das pessoas) penso que não há ninguém que estude o dia inteiro portanto se há vontade, é sempre possível conciliar o rugby com os estudos.
A organização é bastante importante e algumas das coisas que eu faço são preparar a mala com o equipamento na véspera para evitar perder tempo a ir a casa ou planear a semana a contar com os treinos e nunca marcar nada para essas horas. Às vezes quando o horário está muito apertado é preciso juntar o treino de campo com o ginásio. Às vezes é preciso treinar às 7 da manhã antes das aulas se vejo que não posso ir à tarde.
Na minha opinião, mais uma vez, se há vontade é possível conciliar tudo.

BR : De que forma  o Rugby te ajudou na tua vida profissional / de estudante ?
BSC : Penso que o Rugby me ajudou a tornar numa pessoa mais resiliente que encara os desafios com mais persistência. O facto de eu abdicar de muitas coisas para treinar e jogar ajuda também a abdicar quando é preciso focar nos estudos, afinal, o ser humano é um ser de hábitos. Além disso, o sentido de compromisso e de não faltar à equipa, aliado ao espírito de entreajuda e de companheirismo que se vive no Rugby, também tornam um jogador um activo mais valioso para uma empresa.
Tomei a opção de me dedicar exclusivamente ao rugby durante um tempo e não me arrependo nada disso. Penso que o preconceito de ter que fazer uma vida académica imaculada com as mais altas notas e exactamente no tempo estipulado se está a perder e isto deve-se ao crescente reconhecimento que as actividades extracurriculares têm. Os futuros empregadores já estão a fazer isso. Hoje em dia, uma pessoa que não pratique desporto, não faça voluntariado ou não viaje já tem um “handicap” em relação a outros. As notas já não são o único factor avaliado nos CVs e isso é bom para ajudar os atletas. Um jogador de rugby que perca exames para disputar um campeonato mundial de rugby, é mais valorizado hoje em dia do que era antes.

BR : Ja foste internacional de XV e de 7´s. Como descreves as tuas 1ª internacionalizações ?
BSC : Foram momentos muito especiais e que guardo com muito carinho, tal como guardo a minha estreia nos séniores do Belém. Sempre tinha sido um sonho de miúdo poder chegar ao patamar das seleções séniores e como tal foi um grande orgulho.

BR : Qual o teu maior objetivo enquanto jogador no Belenenses?
BSC : Um campeonato nacional sénior. Apenas ganhei um campeonato pelos sub 16 portanto desde que integrei o plantel sénior, o maior objectivo foi sempre o campeonato.

BR : Com que jogador gostarias de ter tido oportunidade de jogar um dia?
BSC : Richie Mccaw. Um grande exemplo do que é um jogador que trabalha muito para a equipa e que dá tudo dentro de campo.

BR : A nível internacional qual o jogador com que te identificas? 
BSC : Não tenho um jogador específico com que me identifico até porque não me posso sequer comparar com o nível internacional. Há certos jogadores que admiro por certas características que têm. Por exemplo, admiro o Werner Kok porque é um jogador com uma intensidade impressionante e que dá sempre tudo o que tem e para mim isso são características fulcrais para um jogador de Rugby.

BR : Fizeste muitos amigos no rugby, calculo eu.  Hoje em dia fazem parte do teu núcleo mais restrito de amizades? 
BSC : Sim, sem dúvida. Dos meus melhores amigos, muitos partilharam os campos de rugby comigo. Penso que se criam laços de amizade muito fortes ao partilhar vivências também muito fortes que o Rugby proporciona.

BR : Como vês o futuro do rugby do Belenenses agora que o Belenenses Rugby Park está em andamento e finalmente vamos ter um campo nosso ?
BSC : Desde há uns 4, 5 anos, temos perdido bastantes jogadores o que não tem ajudado muito na luta pelos campeonatos. Há, e tem havido, uma escassez de jogadores da geração entre a do Diogo Miranda, Salvador Cunha ou Duarte Moreira e a minha mas esta falta de maturidade tem vindo a ser compensada pela garra dos jogadores mais jovens que vão ganhando terreno e lugar na equipa sénior. Ano após ano, cada vez mais sentimos que estes tais jogadores jovens vão amadurecendo o que nos aumenta as aspirações.
Aliado à crescente maturidade, acho que o novo campo será fulcral para catapultar as ambições do clube, e que ter o nosso espaço, onde miúdos possam estudar, passar tempo, treinar skills e treinar livremente, será uma grande mais valia para nós e será o trigger que estamos a precisar.

BR : Obrigado Bernardo, pelo teu contributo para nosso Rugby e ao Belenenses
BSC : Obrigado eu pela oportunidade!

MIGUEL FERNANDES

BELENENSES RUGBY : O teu nome, idade e profissão ?

MIGUEL FERNANDES : Miguel Fernandes, tenho 36 anos e sou engenheiro

BR : Há quantos anos jogas rugby e sempre jogaste no Belenenses ?
MF: Comecei a jogar com 14 anos e fiz a minha 17a época sénior este ano. Vinte e dois anos no total, sempre no Belenenses.

BR : Jogas a que posição ?
MF: Asa

BR : Quais as características que um jogador na tua posição deve ter?
MF : Poderia responder-te que as características técnicas necessárias são várias, sendo talvez as mais importantes a placagem, o jogo no chão, o apoio ao jogo ofensivo e a capacidade de penetração. Mas o que aprendi durante estes anos, e que é crucial para que as características que mencionei atrás tenham sucesso, é que um asa está sempre muito envolvido em praticamente todos os momentos do jogo e deve aprender a gerir muito bem esses momentos e onde/ quando canalizar a sua energia. Quanto melhor for a capacidade de decisão de um asa sobre as circunstâncias de jogo que se lhe deparam, melhor jogador será. Há rucks perdidos que não devem ser disputados, para se ganhar um jogador na linha defensiva, há placagens que têm que ser feitas a dois para não haver quebras de linha, outras que podem ser feitas a um e ser ganho um jogador na disputa da bola… Enfim, como estes há muitos outros exemplos e não é nada fácil, no calor do jogo e num espaço de tempo praticamente instantâneo, decidir bem. Esta essencial leitura de jogo ganha-se a jogar e a ver rugby.

BR : Lembras-te do teu primeiro jogo, senior ?
MF : O meu primeiro jogo pelos séniores foi contra a Académica, em Coimbra. Ganhámos, mas não me lembro do resultado.

BR : Qual o melhor momento enquanto jogador ?
MF : Obviamente a conquista do Campeonato Nacional de Séniores em 2007/2008. O de 2002/ 2003 também foi inesquecível, mas acho que nesse ano ainda não sabia valorizar tanto o momento. A vitória na Taça de Portugal de 2001 também tem um significado especial, por ter sido o primeiro troféu sénior e por ter terminado com um jejum de 25 ou 26 anos do rugby do Belenenses.

BR : Tens cuidados especiais com a alimentação ?
MF : Tento ter uma alimentação saudável, mas sem cuidados especiais. Sou muito básico: durante a época há mais hidratos de carbono na ementa, fora de época não sinto tanto essa necessidade.

BR : Como conseguiste / consegues conciliar os treinos com o teu trabalho / estudos e com a familia?
MF : Desde miúdo que sou um apaixonado pelo rugby e foi sempre uma prioridade minha. Essa paixão não ia até à inconsciência e sabia que tinha que estudar, mas organizava-me para não ter que faltar a treinos ou jogos. Ficava mesmo triste se não fosse treinar e usava isso para me motivar nos estudos. Claro que deixava de fazer muitas outras coisas para estudar e treinar, e acabava por arranjar tempo. Hoje em dia tenho a sorte de ter um trabalho que quase sempre me permite treinar sem quaisquer limitações, até porque posso ter alguma flexibilidade e organizar-me com alguma antecedência.
Em relação à família, acho que não houve um almoço, jantar de anos, ou casamento que tivesse chegado a horas em dia de treino ou jogo. A minha família compreendeu sempre esta minha entrega ao rugby e eu sempre me senti um privilegiado por isso. A minha Mãe especialmente, que nunca jantou comigo a horas normais durante 22 anos de treinos de rugby e sentava-se à mesa comigo sempre com um sorriso paciente na cara.
O que quero dizer com tudo isto, no fundo, é que esta é uma questão passional por isso não há volta a dar. Conciliar tem que ser sempre possível.

BR : De que forma o Rugby te ajudou na tua vida profissional / de estudante ?
MF : O rugby faz-nos viver uma quantidade de experiências que nos ensinam a lidar com desafios e obstáculos. Ficamos preparados para encarar dificuldades com um espírito mais decidido e confiante, e dá-nos uma resiliência maior para aguentar essas dificuldades por mais tempo, se for preciso, e voltar a enfrentá-las se não forem ultrapassadas à primeira. Isto é um ensinamento inestimável e serve-nos durante qualquer fase da nossa vida, seja de estudante ou profissional. Para além disso é um grande escape ao quotidiano e enorme contributo para um bem-estar físico e mental, essencial na nossa vida profissional ou de estudante.

BR : Alguma vez foste internacional por Portugal ? Se sim , como descreves a tua 1ª internacionalização? Se não é algo que sentes que te falta enquanto jogador de rugby?
MF : Nunca fui internacional. Apesar de ter pena de nunca ter tido oportunidade de representar Portugal, reconheço que seria difícil para qualquer treinador nacional selecionar um asa com 78 kg. Para além disso, durante todos estes anos houve sempre jogadores de grande nível a jogar na 3ª linha, quer na minha equipa quer nas equipas adversárias. Foi sempre muito duro ganhar-lhes lugar, no primeiro caso, ou jogar contra eles, no segundo. Claro que é uma experiência que gostava de ter tido, mas sint-me muito preenchido pelo Belenenses.

BR : Qual o teu maior objetivo como jogador no Belenenses?
MF : O objectivo de um jogador do Belenenses tem sempre que passar por contribuir para a criação de um espírito de trabalho na sua equipa, vivendo todos os valores do clube e aplicando aquilo que aprendeu com os seus treinadores e companheiros de equipa. Depois disto, e por consequência, o objectivo último de um belenenses é sempre ganhar.
Tenho também por objectivo tentar passar esta mensagem aos jogadores mais novos, e isso nem sempre é fácil. Não é fácil dizer a um miúdo de 20 anos que o importante não é só ganhar dois ou três jogos, mas sim habituar-se a treinar, a respeitar as regras da equipa e a responder às suas exigências. Só assim se ganha uma equipa e só assim se pode pensar em ganhar campeonatos. Quando todos os atletas, dos mais novos aos mais velhos, estiverem nesta sintonia, aí sim, os resultados aparecem.

BR : Com que jogador gostarias de ter oportunidade de jogar um dia?
MF : Acho que aqueles com quem gostava de ter jogado já deixaram de jogar. Gostava de poder jogar com os putos que estão nos sub14, sub16 e sub18 do Belenenses, mas isso será impossível. Se pudesse voltava a jogar com o João Mirra, Bruno Nifo… tenho saudades de todos os jogadores com quem partilhei uma vida desportiva dentro de campo.

BR : A nível internacional qual o jogador com quem te identificas?
MF : Seria muito pretensioso dizer que me identifico com eles, mas sempre admirei o incontornável Ritchie McCaw e o incrível Jacques Burger.

BR : Fizeste muitos amigos no rugby, calculo eu. Hoje em dia fazem parte do teu núcleo mais restrito de amizades?
MF : Costumo dizer que os amigos que fiz no rugby são a minha verdadeira conquista. Muitas das minhas amizades mais próximas foram de facto construídas neste desporto e neste clube e tenho uma imensa sorte em consegui-las. Como já disse, muitos deixaram de jogar, outros ainda jogam ao meu lado e tenho-os muito bem guardados. Há uns meses fui à Argentina, ao casamento do Facundo Borelli, que jogou cá seis anos e viveu este clube como um verdadeiro belenenses. Foi uma viagem que também me ensinou muito sobre a amizade no rugby e que me mostrou, outra vez, como este é realmente um desporto especial nesse campo.

BR : Como vês o futuro do rugby do Belenenses agora que o Belenenses Rugby Park está em andamento e finalmente vamos ter um campo nosso ?
MF : Tento sempre olhar para o futuro do rugby do Belenenses com espirito crítico e construtivo. É impossível negar que este será um momento charneira para o nosso clube e que um campo nosso virá consolidar toda a estrutura do Belenenses. É um trabalho hercúleo conseguido só pela persistência, coragem e amor das antigas e actual direcções do clube, bem como de todos os adeptos e amigos do Belenenses, que se entregaram a esta ideia e a este projecto. Devemos estar agradecidos a todos, que estarão possivelmente representados nos Presidentes Manuel Costa e Miguel Freudenthal.
Ainda assim, parece-me importante destacar que com ou sem campo este clube sempre viveu e sempre viverá. O Belenenses é feito pelos seus dirigentes, treinadores, seccionistas, atletas (e os seus pais) e adeptos. É feito por pessoas. Não podemos olhar só para o campo como uma unidade solta, mas sim como um prolongamento de vontades e de trabalho e como uma célula que agrega todas estas pessoas, que são o sangue do Belém. É importante que a liderança do clube funcione numa relação estreita com tudo isto e que não se caia em entusiasmos exacerbados, ou desequilíbrios de gestão. Estou seguro que assim não acontecerá.
Dito isto, permitam-me acabar com a minha certeza de que tudo correrá bem e que o nosso futuro será brilhante. Obrigado por esta oportunidade e Viva o Belenenses!

BR : Obrigado Miguel pelo teu contributo para nosso Rugby e ao Belenenses
MF : Mais uma vez obrigado pela oportunidade!

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