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ENTREVISTAS

ENTREVISTAS XV

LUIS WORM

Olá Luis, Tenho algumas perguntas para te colocar sobre ti e o nosso Belenenses.
Desde já obrigado por teres aceite o desafio.

Belenenses Rugby : A tua idade e profissão ?

Luis Worm : Tenho 55 anos e sou Engenheiro Civil

BR : Quantos anos jogaste rugby e a que posição ou posições ?
LW: Joguei 8 anos e sempre na 1ª linha como Talonador

BR : Deixaste de jogar há alguns anos. Quando voltaste a ter funções no rugby do Belenenses diferentes das de jogador?
LW: Deixei de Jogar muito cedo tinha 25 anos de idade, há portanto 30 anos ( corria o ano de 1987). Quando conclui a minha formação académica comecei a trabalhar e por razoes profissionais entre 1988 e 2002 estive sempre destacado inclusive no estrangeiro, o que me impossibilitou de me reaproximar do Clube e ter por isso uma participação mais activa na sua vida.
No plano formal iniciei funções na actual Direcção da XV em Julho de 2016 ( triénio 2016 / 2019 ), tendo no entanto retomado os contactos e a colaboração regular com a XV no âmbito do Projecto de “ Belem Rugby Park “ em 2011.

BR : Passados alguns anos lembras-te do teu primeiro jogo, senior ?
LW : Cheguei ao escalão senior com 20 anos e o primeiro jogo foi no que ao tempo se designava como as “Reservas” ( actuais “Challenge”). Nesse ano fomos Campeões Nacionais ( 1982/1983), numa equipa pontuada por antigas glorias e grandes promessas.

BR : Recordas algum momento mais especial enquanto jogador ?
LW : Dois momentos – A minha estreia no XV Principal no Campo 2 do Estádio do Restelo, ao tempo “pelado”, num jogo para o Campeonato Nacional contra o Benfica e onde ganhamos num jogo “ durinho” na época de 1983/84 e a Digressão a Madrid em 1984

BR : Fizeste de certeza bons amigos no rugby. Hoje em dia manténs essas amizades?
LW : Mantenho bons e fieis amigos do tempo em que joguei, alguns dos quais são os responsáveis por me ter reaproximado do Clube e mais recentemente ter aceite integrar a “Direcção da XV”

BR : De que forma o Rugby te ajudou na tua vida profissional / de estudante ?
LW : O Rugby como modalidade e particularmente no Belenenses reveste-se de uma cultura muito própria e de uma mística especial que nos marca para toda a vida. A resiliência e a capacidade de sofrimento, mas também a solidariedade são valores que nos são incutidos e que nos assumimos e que teem particular importância em todos os aspectos da nossa vida seja na vertente academia seja mesmo na nossa actividade profissional.

BR : Jogaste com muitos jogadores certamente. Qual foi o que mais te marcou, e qual o que gostarias de ter tido oportunidade de jogar?
LW : Joguei com alguns jogadores que foram por razoes diversas, quer como atletas quer posteriormente como dirigentes, referências do rugby do Clube. Sem querer ordenar por relevância destaco entre muitos o Manuel Costa, Luis Paquete, Manuel Marques, Miguel Freudhental, “ Johny” Miranda, Antonio Henrique, Carlos Batista, Rui Muralha e tantos outros.
Ainda como referencia recordo o “Quim” Pereira e a sua passagem no Belenenses e a curiosidade de ter jogado com o meu pai no final da década de 50 e passados mais de 25 anos eu ter tido o privilégio de ter jogado com ele.

BR : Quais as funções que tens desempenhado no nosso Belenenses Rugby, nos últimos anos?
LW : Como referi desde 2011 que tenho acompanhado e integrado a equipa do “ Belém Rugby Park “, primeiro sob a liderança do “Tonha” Vieira de Almeida e mais recentemente do Pedro Cassiano ( Pala Pala ), em funções de desenvolvimento com o Joao Rocheta, do Projecto , nas suas varias vertentes.
De alguma forma e por essa razão, o Miguel Freudhental desafiou-me em Junho de 2016 para integrar a sua lista à Direcção da XV e aqui estou a tentar, na medida das minhas capacidades e competências, cumprir com um desejo de muitas gerações de dirigentes e atletas do Belenenses Rugby , que é ter ao fim de quase 90 anos de actividade regular, um espaço dedicado à prática da modalidade.

BR : Estás desde o inicio no processo que deu origem ao Belém Rugby ?
LW : O projecto do Campo é um desejo muito antigo cuja origem remonta quase ao inicio da pratica da modalidade no CFB, pelo que obviamente não estou desde a sua génese. Tenho no entanto o privilégio e a responsabilidade de integrar a Direcção que por circunstâncias varias vai concretizar o “ ensaio das nossas vidas “, empurrada por gerações e gerações de praticantes e dirigentes, o que me dá um prazer e uma motivação acrescida.

BR : Como Engenheiro envolvido no projeto, quais têm sido as tuas funções. Podes descrever-nos um pouco tudo o que tens feito?
LW : O BRP é o trabalho de uma equipa multidisciplinar e muito variada que reúne talvez a quasi uma década, Advogados, Arquitectos, Engenheiros, Economistas e tantos outros Profissionais, todos muito empenhados, que seria injusto destacar-me dos demais.
Como te referi aproximei-me em 2011 do “ dossier” acompanhando o processo negocial com a CML que culminou com a concessão do direito de superfície por escritura publica em 10 de Abril de 2013, apos prolongadas negociações quer com AML quer com a CML.
Mais recentemente apartir de Janeiro de 2016 e com a aprovação pela CML do Projecto de Arquitectura, envolvi-me mais amiúde na gestão dos projectos das varias disciplinas, nomeadamente nas Especialidades de Engenharia, efectuando o acompanhamento das varias intervenções com as entidades terceiras ( CML , EPAL, ICNF, Projectistas, entre outros ). Intervim na fase de licenciamento e obtenção do alvará de construção e liderei o processo de preparação do concurso por convite, a correspondente analise das propostas, negociação, selecção e contratação dos Empreiteiros. Com o início dos trabalhos no terreno, garanto o acompanhamento técnico dos trabalhos e gestão dos contratos de construção.

BR : Sabemos que tivemos um atraso no projeto por causa de uma Conduta da EPAL. O que se passou na realidade ?
LW : Quando tomamos posse do terreno em Abril de 2013, desconhecíamos a existência de qualquer infra-estrutura na zona do futuro BRP. Ao tempo nada nos foi referido pelos serviços da CML. Só em Fevereiro de 2016 e apos a aprovação pela CML do Projecto de Arquitectura, e no âmbito de uma reconhecimento detalhado ao terreno, foi detectada a existência de uma infra-estrutura que posteriormente se veio a confirmar como sendo uma conduta adutora gravítica da EPAL de diâmetro 600 mm que liga o reservatório do Restelo (sito no Bairro do Caramão da Ajuda) à zona de Alfragide e que abastece entre outros, o Parque de Campismo do Monsanto.
O traçado desta conduta atravessa o BRP transversalmente no sentido Nascente / Poente a uma profundidade de cerca de 5,0 m e numa extensão de cerca de 80 m.
Esta situação foi analisada e discutida detalhadamente com os técnicos da EPAL, tendo a Concessionaria tido ao longo deste processo um comportamento de profícua colaboração com a XV, que aproveito para realçar, tendo em 31 de Maio ultimo, sido celebrado um Protocolo de Colaboração entre as Partes que determinou as condições de execução da obra e de relacionamento futuro entre as entidades.
Em final de Junho deste ano, foi concluída em tempo record ( 72 h )a obra de substituição da conduta existente numa extensão de cerca de 86 m, por uma nova com garantia de maior longevidade, criando condições para fialmente se iniciarem os trabalhos de contrução do BRP.

BR : Em que estado está o projeto e para quando o primeiro jogo Senior no Belém Rugby Park ?
LW : As obras decorrem como previsto. Por uma questão de disponibilidade de fundos, a obra foi contratualizada em 2 fases, sendo que esperamos até ao final de Novembro concluir a fase I, que corresponde a totalidade do projecto excepto o Edifício ( Sede / Restaurante / Balneários / Ginásio ) e as Bancadas que ficarão alocados a 2ª fase, cujo inicio será anunciado oportunamente.
Em breve (até final de Outubro) iniciaremos os trabalhos de instalação da relva artificial e camada de amortecimento.
Assim e se tudo se mantiver nos calendários, esperamos ainda este ano e em Dezembro realizar o 1º Jogo do “Belém Rugby Park “

BR : Como vês o futuro do rugby do Belenenses agora que o Belenenses Rugby Park está em andamento e finalmente vamos ter um campo nosso?
LW : A construção do BRP vai seguramente constituir um importante factor de agregação e de desenvolvimento sustentado da comunidade do rugby do Belenenses, em torno da nossa modalidade de eleição, oferecendo melhores condições de treino e jogo aos praticantes de todos os escalões, num espaço mais central e com melhores facilidades para a atletas e suas familias.
Seguramente que tudo será diferente para melhor.
Aproveito a oportunidade que me facultas para desde já lançar o repto a todos os atletas, pais, patrocinadores, e aos que se queiram juntar a nos, para se associarem as campanhas de angariação de fundos que serão anunciadas em breve, a fim de permitir concluir no menor espaço de tempo a totalidade do Projecto.

BR : Obrigado Luis pelo teu contributo para nosso Belenenses Rugby
LW : Obrigado eu.

JOÃO MIRRA

Olá João, Tenho 15 perguntas para te colocar sobre ti e o nosso Belenenses.
Desde já obrigado por teres aceite o desafio.

Belenenses Rugby : A tua idade e profissão ?​

João Mirra : Olá Gonçalo. Primeiro que tudo agradecer a oportunidade desta entrevista. Tenho 36 anos e neste momento estou a tempo inteiro a trabalhar como treinador na Federação Portuguesa de Rugby e no nosso Clube

BR : Quantos anos jogaste rugby e a que posição ou posições ?
JM: Comecei com 11 anos, na altura no segundo ano de Infantis (Sub12) e deixei aos 33 anos. Várias, desde Arrier, Ponta, Abertura e Formação.

BR : Assim que deixaste de jogar assumiste logo o papel de treinador? 
JM: Ainda jogava e comecei a trabalhar com o Ricardo Vieira nos sub 16, do Belenenses.

BR : Lembras-te do teu primeiro jogo, senior ? 
JM : Lembro sim. No Estádio do Restelo, campo nº2, Meia Final da Taça contra uma equipa fortíssima do Cascais. Ainda era Júnior, e foi algo que me marcou bastante, jogar ao lado de jogadores como António Cunha, Pedro Netto, Miguel Barbosa, Fernando Esteves….entre muitos. Infelizmente perdemos por 5-3 ou 8-3.

BR : Qual o teu melhor momento enquanto jogador ? 
JM : Claramente as duas vezes que fomos Campeões pelo Belenenses, os Europeus de Sevens pela Seleção Nacional e os Torneios no Circuito Mundial de Sevens.

BR : Tinhas cuidados especiais com a alimentação enquanto jogavas ? 
JM : Comecei a ter mais quando comecei a estar envolvido na Seleção Nacional de Sevens, porque nessa altura, o Pedro Netto e o Tomaz Morais, já dedicavam bastante atenção a essa questão.

BR : De que forma  o Rugby te ajudou na tua vida profissional / de estudante ?
JM : Ajudou bastante. O Rugby ensina-nos claramente que por maior que seja uma organização ou uma equipa, as coisas só vão funcionar quando nos preocuparmos em fazer a nossa tarefa bem feita, por mais simples que ela seja. Quando tiramos esse foco, e nos começamos a preocupar com os outros e com o que não controlamos, as coisas irão correr mal. Também nos faz ver que o colectivo é sempre mais importante que nós, mas que sem os outros não somos nós.

BR : Jogaste com muitos jogadores certamente. Qual foi o que mais te marcou, e qual o que gostarias de ter tido oportunidade de jogar?
JM : Difícil… Pedro Netto, não só pela sua qualidade como jogador, mas por tudo o que representava para o clube, na altura que cheguei ao Seniores. Também jogadores, mas a cima disso, alguns dos meus melhores amigos, como o Miguel Fernandes, Bruno Nifo ,Diogo Pinheiro, Frederico Abecassis. Estes marcaram-me muito pela sentimento de pertença que tinham em relação ao Clube. Quando digo Clube, não digo modalidade. Respeito quem em outras modalidades tem outra cor clubística, mas para mim e para este grupo, é algo impensável, é algo que nem chega a ser escolha. Somos do Belenenses e pronto, seja do Volei Feminino, Futebol, passando pelo Basquete.
Ainda houve um momento que o Miguel Fernandes teve uma mini paixão pelo Sporting (Futebol), mas rapidamente voltou às origens…
Fora do Clube, tenho que referir, Gonçalo Foro. Se há alguém que deve ser referência para os muitos jovens que hoje se estão a iniciar nesta modalidade, é ele. 99% do que foi e é como jogador, tem a ver com trabalho e compromisso. Não sendo um talento nato, atingiu feitos extraordinários no Rugby, quer a nível nacional como internacional
Jogadores como o Diogo Mateus, João Uva, Vasco Uva, João Correia, Miguel Portela, Pedro Leal, também me marcaram muito.

BR : Foste internacional por Portugal . Como descreves a tua 1ª internacionalização, e qual o momento que mais te marcou a representar a seleção ?
JM : Fui internacional de Sevens, nunca de XV. Marcou muito. A minha primeira internacionalização foi num torneio no Sri Lanka, e jogar ao lado de jogadores como António Pinto, Nuno Garvão, foi o realizar de um sonho. Poder representar o nosso país, é algo grandioso, e que deve ser um dos objectivos de qualquer jogador.
O momento que mais me marcou com a camisola da Seleção Nacional, foi a conquista do meu primeiro Campeonato Europeu de VII, na Rússia.

BR : Também treinas a seleção Feminina de Sevens paralelamente ao Belenenses. De que forma esse papel te ajudou na tua carreira de treinador , e como vês o rugby feminino ?
JM : Ajudou e ajuda muito. Tinha um desconhecimento total do que era o Rugby Feminino, e quando comecei a trabalhar com as jogadoras, percebi de imediato o porquê, de perante tantas dificuldades, se conseguirem superar e atingir resultados muito acima do expectável. No rugby Feminino está toda a essência do Rugby, toda a paixão pela modalidade. Num país como o nosso, onde o desporto feminino é quase residual, e onde o rugby feminino tem pouca expressão e pouco apoio, quem está envolvido, é porque quer mesmo muito e luta diariamente, de uma forma incondicional, pela modalidade.
É um exemplo para mim a dedicação das atletas no treino e no jogo. Muitas são mães, trabalham, e chegam ao fim do dia para treinar, com uma vontade e uma paixão, que independentemente do que tu peças para elas fazerem, o irão fazer, por mais exigente que seja. A honestidade e a superação destas atletas é algo de louvar e deve ser um exemplo para todos nós. Dou um exemplo concreto, fomos a esta última etapa do Circuito Europeu de Sevens, em perigo de descer de divisão, com um grupo de jogadoras muito jovens, longe da condição física ideal, com menos uma atleta do que o suposto (11 em vez de 12), uma jogadora a chegar na madrugada do Torneio devido a compromissos profissionais, e em vez de arranjarem desculpas, fizeram um primeiro dia brilhante, que permitiu atingir os objectivos. Não tenho qualquer tipo de dúvida em afirmar que, desde que estou envolvido nesta modalidade, tanto como jogador como treinador, foi o grupo onde estive envolvido que mais se superou. Deu tudo o que tinha pelo país e por todas as pessoas qua as apoiam diariamente. Ensinou-nos a todos que por mais obstáculos que tenhas, não nos devemos “agarrar” a essas desculpas para justificar fracassos pessoais. A derrota individual não são números no marcador, são tu chegares ao fim de uma jornada e não teres dado o melhor de ti.

BR : Este ano vais ser o principal responsável dos Seniores depois de alguns anos num papel secundário. Como te sentes ao assumir a função de treinador principal dos seniores do Belenenses, e o que tencionas trazer de novo ao clube?
JM : Sinto me a realizar um sonho. Estou no clube que amo, na modalidade que escolhi. Sozinho não trago nada, espero, dentro de um grupo, conseguir passar uma mensagem de exigência diária, porque só assim conseguiremos ser ainda melhores. Sem faltar ao respeito do que foi feito no passado, acredito que só se todos (dirigentes, treinadores, jogadores, fisioterapeuta, preparador físico…) subirmos o grau de exigência, teremos os resultados que queremos. Poderá não ser no imediato, mas irá acontecer. Não é estar a controlar nem a avaliar o que o outro faz, mas sim, perceber se posso fazer melhor o que estou a fazer. A maior parte das vezes isso é possível.

BR : Como responsável maximo dos Seniores vais ter um grupo certamente muito motivado e desejoso de vitórias . A geração que sobe dos Sub 18 é muito talentosa e habituada a vencer desde os Sub 14. Como vês a integração deles nos seniores ?
JM : Vejo como algo que cada vez mais tem que ser natural no nosso Clube. São atletas cheios de potencialidade, mas, e sei que posso ser mal interpretado, para mim jogador de rugby é jogador Sénior.. Até lá és um atleta em formação. Quando vais a Arcos de Valdevez pelos Seniores, a chover, jogares 5 min ou não jogares, e na segunda feira estás no treino, cheio de vontade para evoluir, aí és jogador de Rugby.

BR : Quais os objetivos do rugby do Belenenses para a próxima época, a nivel desportivo, nos seniores e dos sub 18 aos Sub 14? Pensas que fazer melhor do que o ano passado é possivel ?
JM : Vou inverter a ordem as perguntas, e vou começar por responder pela última. É sempre possível fazer melhor que no passado, agora é preciso definir o que é fazer melhor em cada respectivo escalão.
Para mim fazer melhor nos escalões de formação, é preparar cada vez melhor e em mais quantidade, os jogadores a nível técnico/táctico e físico, para quando chegarem aos Seniores, estarem cada vez mais preparados, sem nunca perder a vitória como algo a atingir, mas como resultado do processo e não como objectivo único e principal.
Em relação aos Seniores, devido à nova estrutura do Campeonato, o nosso primeiro objectivo é ficar nos dois primeiros lugares do nosso grupo.
A nível interno, claramente, algo que tem sido falado entre nós, jogadores e equipa técnica, é construirmos uma cultura de treino e não só cultura de Jogo. Só se treinarmos mais e sobretudo melhor, com mais intensidade, conseguiremos atingir outros patamares. A nossa modalidade evoluiu bastante, e já não é suficiente chegar aos dias dos jogos, bater com a “mão no peito” e esperar milagres. Também é fundamental essa vontade e essa “alma” nos dia de Jogo, mas sustentado em muito trabalho diário.

BR : Como vês o futuro do rugby do Belenenses agora que o Belenenses Rugby Park está em andamento e finalmente vamos ter um campo nosso?
JM : Vejo com todas as capacidades e oportunidades, para continuarmos a crescer de uma maneira sustentada e ficarmos no topo do Rugby português durante anos. Aproveitar para agradecer às pessoas que tornaram este sonho, de várias décadas da família Belenenses, possível, mesmo com prejuízo da sua vida pessoal. Não quero ser injusto, que provavelmente o serei, mas deixar uma palavra especial ao ex Presidente e ao Presidente da Secção, Manuel Costa e Miguel Freudenthal.
Mas também tenho uma certeza, as organizações, mais do que as estruturas físicas (Campos, ginásios,…), são as pessoas que as compoêm. E mesmo depois da inauguração do novo campo, vamos precisar de todos, com as nossas diferenças, mas todos unidos num objectivo comum, que é fazer com que o nosso clube seja cada vez melhor.

BR : Obrigado João pelo teu contributo para nosso Rugby e ao Belenenses
JM : Nada que agradecer, até porque o que já dei ao Belenenses, é residual comparado com o que o clube já me deu. A primeira pessoa que me disse isto, foi o ex: jogador Alexandre Marques, quando eu ainda era Sub 18, e só passado uns bons anos, percebi na plenitude o que o Alex queria dizer.
Se saísse hoje do clube, nada do que fizesse até ao fim da minha vida, iria pagar o que o nosso clube já me proporcionou. Não digo isto por ficar bem dizer, mas porque acredito mesmo.

RUI MURALHA

Olá Rui , Tenho 15 perguntas para te colocar sobre ti e o nosso Belenenses.
Desde já obrigado por teres aceite o desafio.

Belenenses Rugby : A tua idade e profissão ?
Rui Muralha : 57 anos
Socio fundador empresa de reabilitação Urbana

BR : Quantos anos jogaste rugby e a que posição ou posições ?
RM: Jogar e manter-me dentro de campo, são coisas diferentes. Penso que joguei “ao mais alto nível” 27 anos, mas ainda lá andei mais 3 anos com a cruz ao peito. Joguei nos 27 anos sempre a Abertura e para o fim já jogava a 1º centro.

BR : Deixaste de jogar há quantos anos ? Assim que deixaste de jogar assumiste logo o papel de dirigente , hoje conhecido por Diretor de Equipa ?
RM: 28 anos, estive parado 5 a 6 anos, claro que não fui o 1º treinador dos sub 8, ainda não tínhamos esse escalão (na altura Bambis), porque quando ia levar o meu filho aos treinos com 6 anos ele e outros (filho do António V.A, o filho do Costa, o filho do Silveira, o filho do Morato tinham que treinar no escalão a cima (Benjamins sub 10) e vai dai a pedido do atual presidente, na altura também presidente mais o M. Duarte Silva, fiquei de arranjar mais jogadores e formamos os sub 8 do Belém.

BR : Lembras-te do teu primeiro jogo, senior ?
RM : Ainda era júnior no estádio da luz, o Anibal Miranda (lesionou-se) e fui eu. Foi bem durinho cair no meio da avançada de homens que o Benfica tinha na altura, mas ganhamos a chover onde hoje é o estádio da luz

BR : Qual o teu melhor momento enquanto jogador ?
RM : Vários, dificil pergunta. Foi uma vida de melhores momentos quando ganhavamos, mas talvez… a Vitória ao campeão de Espanha na altura no universitário de Madrid – Liceu Francês

BR : Tinhas cuidados especiais com a alimentação enquanto jogavas, tal como os jovens de hoje têm? O rugby de hoje é muito diferente ?
RM : Até chegar a Senior sempre fui bastante controlado, nunca fumei por exemplo. Em Seniores posso dizer que fui pouco cauteloso na alimentação e na forma como encarava os jogos mais fáceis.

BR : O Rugby deu-te amigos para a vida, certamente. Como descreves a importância do Rugby na tua vida pessoal?
RM : Numa só frase, Os meus amigos verdadeiros jogaram todos comigo.

BR : Jogaste com muitos jogadores certamente. Qual foi o que mais te marcou, e qual o que gostarias de ter tido oportunidade de jogar?
RM : Não tenho nenhum jogador que me tenha marcado particularmente em Portugal. Gostava de jogado com o meu ídolo na altura, Phill Bennett, e tive a sorte de ter estado no campeonato da Europa com o Serge Blanco que dava gosto assistir as partidas dele já tão novo, e claro foi o melhor Jogador do Europeu

BR : Foste internacional por Portugal ? Como descreves a tua 1ª internacionalização, e qual o momento que mais te marcou a representar a seleção ?
RM : Nunca fui Internacional A, apesar de ter feito 7 campanhas como provável. Fui sim nas camadas jovens, em todas. Claro que o Hino Nacional é uma sensação indescritível, somente se consegue sentir difícil descrever.

BR : Estás ha muitos anos no Belenenses Rugby. Para ti é um clube diferente na forma como aborda o rugby e os seus atletas? Como descreves a cultura do Belenenses Rugby ?
RM : Estou do lado de cá já lá vão 19 anos seguidos, passando por vários cargos,
Quem sou eu para descrever uma cultura que vem desde 1928, a sensação de estar neste clube de Rugby, de ter passado enquanto jogador por momentos bons e claro momentos menos bons desde os 11 anos e ainda cá andar, mostra bem o que o Rugby traz para alguns. A cultura é mais o espirito que envolve a amizade que vai perdurar por anos e anos, que torna este desporto violento só para quem nunca jogou.

BR : Este ano vais estar mais uma vez á frente da Equipa Senior como Diretor de Equipa . O ultimo campeonato nacional já foi há 10 anos . Acreditas que este ano é possível regressar ao titulo ?
RM : Estou a frente, tendo começado como adjunto do João Miranda “em parte time” no ano que fomos a final com o Direito, como sabem desde ai tivemos uma saída massiva de jogadores, por várias razões, todas elas mais ou menos validas, só para se perceber o quanto pode levar a formar novamente uma equipa, acho mas tenho toda a convicção que iniciamos o processo à algum tempo e este ano vamos chegar lá, escreve o que eu digo o click vai acontecer, e quando acontecer se tudo estiver estruturado vai durar muitos anos a mantermo-nos cá como campeões.

BR : Este ano os Seniores vão ter um novo treinador principal. Como vês esta nova fase do nosso rugby ?
RM : Como Manager e responsável da Direção, as alternâncias são sempre salutares quando bem explicadas, tudo o mais seria inconveniente transmitir decisões da Direção na otica de uma nova fase, para mim a continuidade começou em 1929 e todos esperamos que com um novo treinador venham mais alegrias e tantos triunfos que nos permita chegar finalmente ao fim de 10 anos ao 1º Lugar.

BR : A geração que sobe dos Sub 18 é muito talentosa e habituada a vencer desde os Sub 14. Como vês a integração deles nos seniores e na equipa Sub 23?
RM : É perigoso e nada se faz sem muito trabalho pensar assim tão preto no branco, quantas gerações vencedoras tivemos que ganharam tudo o que era para ganhar, vão ter que trabalhar muito para mostrarem que não foi por acaso.
Mas claro que é um ótimo alento termos esta gente tão talentosa a vir contribuir cá para cima para chegarmos TODOS ao sucesso.

BR : Quais os objetivos do rugby do Belenenses para a próxima época ? Este ano o Campeonato tem uma formula diferente. Vai ser mais difícil o apuramento para a fase final?
RM : O formato é uma transição para termos um campeonato mais competitivo, mais reduzido pensando sempre em dois factores, seleção nacional e futura liga ibérica, não estou a dizer que concordo estou a constatar um facto para quem não entendeu.
Como tal esta disposição de 3 series de 4 equipas feita em serpentina seguindo a classificação do campeonato findo, colocou-nos num grupo difícil em que até meados de Outubro os dois primeiros podem chegar ao título os outros não, o que esta a fazer com que as equipas se movimentem em aquisições e treinos bem mais cedo que os outros anos.
Com a equipa que temos, com os reforços que temos, irá tudo ficar facilitado com o empenho deste principio de época e com toda a programação já estudada.

BR : Como vês o futuro do rugby do Belenenses agora que o Belenenses Rugby Park está em andamento e finalmente vamos ter um campo nosso?
RM : Com o campeonato nas mãos e o nosso campo finalmente o futuro não vai parar, eu sim os 20 anos serão o fim da minha era e o inicio das instalações próprias que todos bem merecemos, os que estão agora cá, os que vêm a seguir e principalmente os que cá andaram tantos anos para que isto hoje também fosse possível.
Se sem campo somos o que somos com campo…

BR : Obrigado Rui pelo teu contributo para nosso Rugby e ao Belenenses
RM : Obrigado eu.

FREDERICO M. SIMÕES

Olá Frederico, Tenho 15 perguntas para te colocar sobre ti e o nosso Belenenses.

Desde já obrigado por teres aceite o desafio.

Belenenses Rugby : O tua idade e profissão ?

Frederico Simões : 17 anos e sou estudante

BR : Ha quantos anos jogas rugby e sempre jogaste no Belenenses ?
FS: Jogo a 8 anos e sempre joguei de cruz ao peito.

BR : Jogas a que posição ? Preferes jogar a mais alguma posição ?
FS: jogo na primeira linha mas dentro da primeira linha prefiro jogar a talonador

BR : Lembras-te do teu primeiro jogo ?
FS : Lembro me que foi no restelo contra a Direito mas não me perguntes quanto ficou porque não te sei dizer

BR : Qual o teu melhor momento enquanto jovem jogador ?
FS : Tive vários nestes últimos três anos, não há só um melhor momento. Este ano por exemplo estive no campeonato da Europa e ganhamos tudo com exceção da taça. O ano passado foi incrível também, ganhamos os jogos todos da época menos um que nos custou o titulo mas foi muito bom. Há três anos, também ganhamos tudo, por isso não consigo escolher um.

BR : Tens cuidados especiais com a alimentação ?
FS :Tenho, vou de mês a mês a uma nutricionista que me faz um plano alimentar

BR : De que forma o Rugby te ajudou na tua vida de estudante ?
FS : Ajudou-me muito pois permitiu-me manter mais focado, pois sabia que ia ter treinos e jogos, e ter de ir ao ginásio e claro, tinha de estudar. Tudo isto fez com que ganhasse responsabilidade.

BR : Como consegues conciliar os treinos com os teus estudos, com a família e a namorada?
FS :Há tempo para tudo desde de que nos mantenhamos focados nos nossos objetivos. Quem corre por gosto não cansa.

BR : Com que jogador gostarias de ter oportunidade de jogar um dia? Talvez o teu irmão mais velho ?
FS : Sim claro, partilhar campo com o meu irmão mais velho seria um sonho,

BR : Como vês a seleção nacional ? É um objetivo teu para o futuro ?
FS : Claro que sim, adoro representar a seleção nacional, é um orgulho.e o meu objetivo e continuar a trabalhar para merecer convocatórias.

BR : Tens feito muitos amigos no rugby ? Achas que vão fazer parte da teu leque de amigos quando deixares de jogar ?
FS : Não tenho duvidas, são amigos para a vida. Quase que passamos mais tempo com eles que com a nossa própria família, entre treinos, balneário, jogos, viagens. Falamos muito, damos nos muito bem.

BR : Já foste Campeão Nacional pelos Sub 16 e venceste a Taça de Portugal no mesmo ano. Como sentiste este ano ganhar novamente o Campeonato mas, desta vez em sub 18 ?
FS : Foi diferente, em ambos foi muito bom pois sempre senti que os treinadores confiavam em mim, mas este ano, depois de o ano passado termos perdido no ultimo jogo, estava-nos atravessado, por isso soube muito bem ganhar este ano outra vez.

BR : Esta época foi diferente pelas varias paragens no campeonato. Tens algum momento que te marcou mais , e como te sentiste na pela de capitão ? Ja tinhas sido nos escalões mais abaixo ?
FS : O momento que me marcou mais foi o jogo que fazemos em casa contra o Direito, onde nas duas primeiras jornadas, uma tinhamos perdido e outra empatado, neste jogo com o Direito estamos a perder e um dos nossos levou vermelho mas a partir dai, via-se nos olhos de todos os que la estavam as ganas de ganhar, e ganhamos com menos um. Esse jogo foi talvez o momento que mais me marcou este ano. Ser capitão foi muito bom mas foi uma grande responsabilidade ao mesmo tempo, pois temos de tomar decisões que podem ou não prejudicar a equipa, temos não só de olhar para nos mesmos como para todos os que estão a jogar comigo, falar com eles e saber puxa-los para cima.

BR : Na próxima época vais subir aos seniores. Como achas que vai ser … diferentes desafios , objetivos diferentes, fala-nos disso ?
FS : Na próxima época, vai ser o primeiro ano de seniores e vamos ver como corre, sei que vai ser muito difícil ganhar um lugar mas e para isso que vou trabalhar. Os objetivos não creio que sejam diferentes pois eu começo todas as épocas com os mesmos objetivos, ganhar um lugar na equipa e a confiança dos treinadores e depois ganhar todos os jogos.

BR : Como vês o futuro do rugby do Belenenses agora que o Belenenses Rugby Park está em andamento e finalmente vamos ter um campo nosso ?
FS : Foi muito bom para o clube, para termos o nosso próprio campo, onde vamos estar habituados a treinar, não como nestes anos que nunca sabemos onde vão ser os jogos e treinamos em vários sítios.

BR : Obrigado Fred pelo teu contributo para nosso Rugby e ao Belenenses
FS : Obrigado Eu.

MIGUEL FREUDENTHAL

Olá Miguel,
Desde já obrigado por teres aceite o desafio.

BELENENSES RUGBY: A tua idade e profissão Miguel?

MIGUEL FREUDENTHAL : ,Tenho 56 anos , Gestor de Empresas

BR : Quantos anos jogaste rugby e sempre jogaste no Belenenses ?
MF: 20 anos. Em Portugal sempre no Belém. Estudei em Inglaterra e lá joguei pela Thames Polytechnic durante 3 anos.

BR : Jogaste a que posição ?
MF: Primeiro 15, depois 13 e por fim na 3ª linha (6 ou 8)

BR : Lembras-te do teu primeiro jogo, senior ?
MF : Sim, claro, foi uma emoção. Tinha 17 anos, no pelado do Restelo contra o Técnico, e ao lado dos Grandes Costa, Spinola e Guerreiro

BR : Qual o teu melhor momento enquanto jogador ?
MF : Em seniores nunca ganhei nenhum troféu. Mas conseguimos ganhar ao campeão espanhol, em digressão a Madrid em maio de 1985. Grande memória desse jogo!

BR : Tinhas cuidados especiais com a alimentação ?
MF : Não. Nessa altura não se pensava nisso.

BR : De que forma o Rugby te ajudou na tua vida profissional / de estudante ?
MF : Desde logo facilitou-me a entrada na Universidade em Londres porque em Inglaterra as Escolas e Universidades dão muito valor a quem pratica desportos. Na minha vida profissional ajuda-me a ser mais resiliente, paciente e lutador quando pretendo atingir um qualquer objetivo.

BR : Como conseguiste / consegues conciliar os treinos com o teu trabalho / estudos e com a familia?
MF : Foi e continua a ser uma questão de prioridades, e de ter uma vida equilibrada entre os estudos, profissão, família e os nossos hobbies. Há tempo para tudo, basta querer. Os treinos fazem parte da minha paixão e por isso nunca faltei a um único treino na minha vida. Como nunca faltei a nenhum jogo!

BR : Com que jogador gostarias de ter tido oportunidade de jogar um dia?
MF : O capitão dos Springboks, vencedor do campeonato do mundo em 1995, François Pienaar.

BR : Alguma vez foste internacional por Portugal ? Se sim , como descreves a tua 1ª internacionalização? Se não é algo que sentes que te falta enquanto jogador de rugby?
MF : Fui capitão da seleção nacional de Juvenis, internacional Júnior e Sénior B.
Como Sénior A nunca vesti a camisola das quinas, por isso acho que não vale a pena mencionar a minha internacionalização enquanto atleta juvenil. Mas obviamente trabalhei muito para isso, só que nunca mereci ser eleito pelo treinador da altura.
As saudades de ser jogador são imensas! Muitas saudades do cheiro da cabine, das palestras do Tó Miranda e do Professor Olegário, e do sabor das vitórias!

BR : A nível internacional qual o jogador com quem te identificavas?
MF : Jean Pierre Rives e mais tarde François Pienaar

BR : Fizeste muitos amigos no rugby, calculo eu. Hoje em dia fazem parte do teu núcleo mais restrito de amizades?
MF : Quase todos os meus amigos atuais jogaram comigo no Belém. É uma cumplicidade que nunca se perde. Amigos para sempre!

BR : És o principal responsável do Rugby do Belenenses ha quanto tempo, e tencionas continuar a ser o Presidente da seção por quantos anos?
MF : Sou presidente da XV, a associação que tem os destinos do Rugby do Belenenses há 4 anos. Tenho mandato até 2019 e tenciono cumprir com o compromisso assumido. A seguir logo se vê. Depende do que os associados determinarem. Pronto para ajudar estou sempre, seja qual o cargo que ocupe – nem que seja como adepto.

BR : Quais os objetivos do rugby do Belenenses para a próxima época, a nivel desportivo ?
MF : O Belenenses vai continuar a trilhar o seu caminho, apostando nos seus jovens valores (que os há, e muitos) e vai continuar a apostar forte na formação. Somos ambiciosos, mas temos os pés na terra. A equipa sénior vai continuar a ser reforçada e vai lutar com os seus jovens por melhorar a sua classificação em relação à época passada. Em breve seremos campeões!

BR : Como vês o futuro do rugby do Belenenses agora que o Belenenses Rugby Park está em andamento e finalmente vamos ter um campo nosso ?
MF : Com grande otimismo! Com as nossas futuras instalações, o Belenenses voltará em breve a ser o maior e melhor Clube de Rugby em Portugal. Não tenho dúvida. Se somos o que somos sem instalações, com a nossa “casa” seremos imparáveis!

BR : Obrigado Miguel pelo teu contributo para nosso Rugby e ao Belenenses
MF : Obrigado eu por este momento, e desejo de boas férias a todos!

BERNARDO S. CARDOSO

Desde já obrigado por teres aceite o desafio.

Belenenses Rugby : A tua idade e profissão Bernardo S.Cardoso ?​

Bernardo S. Cardoso : 23 anos e estou neste momento na transição de estudante para analista financeiro.

BR : Ha quantos anos jogas rugby e sempre jogaste no Belenenses ? 
BSC: Jogo rugby há 18 anos e começei no CDUP onde joguei durante 5 anos. Estou no Belenenses há 13 anos.

BR : Posição preferida , visto que costumas jogar a centro e ponta ? 
BSC: Gosto das duas posições mas prefiro jogar a centro porque estou mais envolvido no jogo e tenho mais intervenções tanto a defender como a atacar.

BR : Quais as características que um jogador na tua posição deve ter? 
BSC : Mais a centro do que a ponta, sinto que é necessário ter uma de duas características: forte no contacto e a desiquilibrar a defesa ou com sólidos handing skills. Dado que falhar placagens em jogo aberto significa muitas vezes conceder ensaios, é também muito importante que um centro seja um bom defesa. Uma boa placador individual, mas tão importante como a placagem, saber defender bem no colectivo: placar alto quando é preciso conter a bola, correr para trás se houver inferioridade numérica, deslizar, manter canais… Ser rápido/explosivo, ter poder de decisão e conhecer o jogo são extras que ajudam muito a completar um bom centro.

BR : Lembras-te do teu primeiro jogo, senior ? 
BSC : Lembro-me muito bem. Foi contra o Técnico nas Olaias, um jogo de treino onde ganhámos e tive a sorte de me estrear com um ensaio. Lembro-me que joguei a segundo centro e foi muito fácil de jogar porque ao meu lado estava o Diogo Mateus que placava tudo o que mexia e me ajudava muito na colocação em campo e me dava muitos conselhos o que tornou tudo mais simples e ajudou a dissipar o nervosismo.

BR : Qual o melhor momento enquanto jogador ? 
BSC : O momento rugbístico mais marcante que tive foi quando nos sevens empatámos contra a Nova Zelândia num estádio cheio em Hong Kong com o público todo a puxar por nós. Ficará para sempre!

BR : Tens cuidados especiais com a alimentação ?
BSC : Faço um esforço por comer sopa todos os dias para não me faltarem vegetais e legumes e tento ter uma alimentação mais ou menos variada, mas nada de muito rígido. Tento sempre comer no máximo até 45 minutos depois de ter treinado no campo ou ginásio para evitar que o corpo começe a ir buscar reservas contribuindo para a perca de peso.

BR : Como conseguiste / consegues conciliar os treinos com o teu trabalho / estudos e com a familia?
BSC : Eu tive a sorte de conseguir gerir bem as duas vertentes e de ter uma família e namorada que sempre me apoiaram em tudo.
Sempre me foi importante, mesmo (e principalmente) nas alturas de exames, ter um treino no fim do dia que me ajudava a dispersar do estudo. Tirando as vésperas dos testes (e mesmo assim, depende das pessoas) penso que não há ninguém que estude o dia inteiro portanto se há vontade, é sempre possível conciliar o rugby com os estudos.
A organização é bastante importante e algumas das coisas que eu faço são preparar a mala com o equipamento na véspera para evitar perder tempo a ir a casa ou planear a semana a contar com os treinos e nunca marcar nada para essas horas. Às vezes quando o horário está muito apertado é preciso juntar o treino de campo com o ginásio. Às vezes é preciso treinar às 7 da manhã antes das aulas se vejo que não posso ir à tarde.
Na minha opinião, mais uma vez, se há vontade é possível conciliar tudo.

BR : De que forma  o Rugby te ajudou na tua vida profissional / de estudante ?
BSC : Penso que o Rugby me ajudou a tornar numa pessoa mais resiliente que encara os desafios com mais persistência. O facto de eu abdicar de muitas coisas para treinar e jogar ajuda também a abdicar quando é preciso focar nos estudos, afinal, o ser humano é um ser de hábitos. Além disso, o sentido de compromisso e de não faltar à equipa, aliado ao espírito de entreajuda e de companheirismo que se vive no Rugby, também tornam um jogador um activo mais valioso para uma empresa.
Tomei a opção de me dedicar exclusivamente ao rugby durante um tempo e não me arrependo nada disso. Penso que o preconceito de ter que fazer uma vida académica imaculada com as mais altas notas e exactamente no tempo estipulado se está a perder e isto deve-se ao crescente reconhecimento que as actividades extracurriculares têm. Os futuros empregadores já estão a fazer isso. Hoje em dia, uma pessoa que não pratique desporto, não faça voluntariado ou não viaje já tem um “handicap” em relação a outros. As notas já não são o único factor avaliado nos CVs e isso é bom para ajudar os atletas. Um jogador de rugby que perca exames para disputar um campeonato mundial de rugby, é mais valorizado hoje em dia do que era antes.

BR : Ja foste internacional de XV e de 7´s. Como descreves as tuas 1ª internacionalizações ?
BSC : Foram momentos muito especiais e que guardo com muito carinho, tal como guardo a minha estreia nos séniores do Belém. Sempre tinha sido um sonho de miúdo poder chegar ao patamar das seleções séniores e como tal foi um grande orgulho.

BR : Qual o teu maior objetivo enquanto jogador no Belenenses?
BSC : Um campeonato nacional sénior. Apenas ganhei um campeonato pelos sub 16 portanto desde que integrei o plantel sénior, o maior objectivo foi sempre o campeonato.

BR : Com que jogador gostarias de ter tido oportunidade de jogar um dia?
BSC : Richie Mccaw. Um grande exemplo do que é um jogador que trabalha muito para a equipa e que dá tudo dentro de campo.

BR : A nível internacional qual o jogador com que te identificas? 
BSC : Não tenho um jogador específico com que me identifico até porque não me posso sequer comparar com o nível internacional. Há certos jogadores que admiro por certas características que têm. Por exemplo, admiro o Werner Kok porque é um jogador com uma intensidade impressionante e que dá sempre tudo o que tem e para mim isso são características fulcrais para um jogador de Rugby.

BR : Fizeste muitos amigos no rugby, calculo eu.  Hoje em dia fazem parte do teu núcleo mais restrito de amizades? 
BSC : Sim, sem dúvida. Dos meus melhores amigos, muitos partilharam os campos de rugby comigo. Penso que se criam laços de amizade muito fortes ao partilhar vivências também muito fortes que o Rugby proporciona.

BR : Como vês o futuro do rugby do Belenenses agora que o Belenenses Rugby Park está em andamento e finalmente vamos ter um campo nosso ?
BSC : Desde há uns 4, 5 anos, temos perdido bastantes jogadores o que não tem ajudado muito na luta pelos campeonatos. Há, e tem havido, uma escassez de jogadores da geração entre a do Diogo Miranda, Salvador Cunha ou Duarte Moreira e a minha mas esta falta de maturidade tem vindo a ser compensada pela garra dos jogadores mais jovens que vão ganhando terreno e lugar na equipa sénior. Ano após ano, cada vez mais sentimos que estes tais jogadores jovens vão amadurecendo o que nos aumenta as aspirações.
Aliado à crescente maturidade, acho que o novo campo será fulcral para catapultar as ambições do clube, e que ter o nosso espaço, onde miúdos possam estudar, passar tempo, treinar skills e treinar livremente, será uma grande mais valia para nós e será o trigger que estamos a precisar.

BR : Obrigado Bernardo, pelo teu contributo para nosso Rugby e ao Belenenses
BSC : Obrigado eu pela oportunidade!

MIGUEL FERNANDES

BELENENSES RUGBY : O teu nome, idade e profissão ?

MIGUEL FERNANDES : Miguel Fernandes, tenho 36 anos e sou engenheiro

BR : Há quantos anos jogas rugby e sempre jogaste no Belenenses ?
MF: Comecei a jogar com 14 anos e fiz a minha 17a época sénior este ano. Vinte e dois anos no total, sempre no Belenenses.

BR : Jogas a que posição ?
MF: Asa

BR : Quais as características que um jogador na tua posição deve ter?
MF : Poderia responder-te que as características técnicas necessárias são várias, sendo talvez as mais importantes a placagem, o jogo no chão, o apoio ao jogo ofensivo e a capacidade de penetração. Mas o que aprendi durante estes anos, e que é crucial para que as características que mencionei atrás tenham sucesso, é que um asa está sempre muito envolvido em praticamente todos os momentos do jogo e deve aprender a gerir muito bem esses momentos e onde/ quando canalizar a sua energia. Quanto melhor for a capacidade de decisão de um asa sobre as circunstâncias de jogo que se lhe deparam, melhor jogador será. Há rucks perdidos que não devem ser disputados, para se ganhar um jogador na linha defensiva, há placagens que têm que ser feitas a dois para não haver quebras de linha, outras que podem ser feitas a um e ser ganho um jogador na disputa da bola… Enfim, como estes há muitos outros exemplos e não é nada fácil, no calor do jogo e num espaço de tempo praticamente instantâneo, decidir bem. Esta essencial leitura de jogo ganha-se a jogar e a ver rugby.

BR : Lembras-te do teu primeiro jogo, senior ?
MF : O meu primeiro jogo pelos séniores foi contra a Académica, em Coimbra. Ganhámos, mas não me lembro do resultado.

BR : Qual o melhor momento enquanto jogador ?
MF : Obviamente a conquista do Campeonato Nacional de Séniores em 2007/2008. O de 2002/ 2003 também foi inesquecível, mas acho que nesse ano ainda não sabia valorizar tanto o momento. A vitória na Taça de Portugal de 2001 também tem um significado especial, por ter sido o primeiro troféu sénior e por ter terminado com um jejum de 25 ou 26 anos do rugby do Belenenses.

BR : Tens cuidados especiais com a alimentação ?
MF : Tento ter uma alimentação saudável, mas sem cuidados especiais. Sou muito básico: durante a época há mais hidratos de carbono na ementa, fora de época não sinto tanto essa necessidade.

BR : Como conseguiste / consegues conciliar os treinos com o teu trabalho / estudos e com a familia?
MF : Desde miúdo que sou um apaixonado pelo rugby e foi sempre uma prioridade minha. Essa paixão não ia até à inconsciência e sabia que tinha que estudar, mas organizava-me para não ter que faltar a treinos ou jogos. Ficava mesmo triste se não fosse treinar e usava isso para me motivar nos estudos. Claro que deixava de fazer muitas outras coisas para estudar e treinar, e acabava por arranjar tempo. Hoje em dia tenho a sorte de ter um trabalho que quase sempre me permite treinar sem quaisquer limitações, até porque posso ter alguma flexibilidade e organizar-me com alguma antecedência.
Em relação à família, acho que não houve um almoço, jantar de anos, ou casamento que tivesse chegado a horas em dia de treino ou jogo. A minha família compreendeu sempre esta minha entrega ao rugby e eu sempre me senti um privilegiado por isso. A minha Mãe especialmente, que nunca jantou comigo a horas normais durante 22 anos de treinos de rugby e sentava-se à mesa comigo sempre com um sorriso paciente na cara.
O que quero dizer com tudo isto, no fundo, é que esta é uma questão passional por isso não há volta a dar. Conciliar tem que ser sempre possível.

BR : De que forma o Rugby te ajudou na tua vida profissional / de estudante ?
MF : O rugby faz-nos viver uma quantidade de experiências que nos ensinam a lidar com desafios e obstáculos. Ficamos preparados para encarar dificuldades com um espírito mais decidido e confiante, e dá-nos uma resiliência maior para aguentar essas dificuldades por mais tempo, se for preciso, e voltar a enfrentá-las se não forem ultrapassadas à primeira. Isto é um ensinamento inestimável e serve-nos durante qualquer fase da nossa vida, seja de estudante ou profissional. Para além disso é um grande escape ao quotidiano e enorme contributo para um bem-estar físico e mental, essencial na nossa vida profissional ou de estudante.

BR : Alguma vez foste internacional por Portugal ? Se sim , como descreves a tua 1ª internacionalização? Se não é algo que sentes que te falta enquanto jogador de rugby?
MF : Nunca fui internacional. Apesar de ter pena de nunca ter tido oportunidade de representar Portugal, reconheço que seria difícil para qualquer treinador nacional selecionar um asa com 78 kg. Para além disso, durante todos estes anos houve sempre jogadores de grande nível a jogar na 3ª linha, quer na minha equipa quer nas equipas adversárias. Foi sempre muito duro ganhar-lhes lugar, no primeiro caso, ou jogar contra eles, no segundo. Claro que é uma experiência que gostava de ter tido, mas sint-me muito preenchido pelo Belenenses.

BR : Qual o teu maior objetivo como jogador no Belenenses?
MF : O objectivo de um jogador do Belenenses tem sempre que passar por contribuir para a criação de um espírito de trabalho na sua equipa, vivendo todos os valores do clube e aplicando aquilo que aprendeu com os seus treinadores e companheiros de equipa. Depois disto, e por consequência, o objectivo último de um belenenses é sempre ganhar.
Tenho também por objectivo tentar passar esta mensagem aos jogadores mais novos, e isso nem sempre é fácil. Não é fácil dizer a um miúdo de 20 anos que o importante não é só ganhar dois ou três jogos, mas sim habituar-se a treinar, a respeitar as regras da equipa e a responder às suas exigências. Só assim se ganha uma equipa e só assim se pode pensar em ganhar campeonatos. Quando todos os atletas, dos mais novos aos mais velhos, estiverem nesta sintonia, aí sim, os resultados aparecem.

BR : Com que jogador gostarias de ter oportunidade de jogar um dia?
MF : Acho que aqueles com quem gostava de ter jogado já deixaram de jogar. Gostava de poder jogar com os putos que estão nos sub14, sub16 e sub18 do Belenenses, mas isso será impossível. Se pudesse voltava a jogar com o João Mirra, Bruno Nifo… tenho saudades de todos os jogadores com quem partilhei uma vida desportiva dentro de campo.

BR : A nível internacional qual o jogador com quem te identificas?
MF : Seria muito pretensioso dizer que me identifico com eles, mas sempre admirei o incontornável Ritchie McCaw e o incrível Jacques Burger.

BR : Fizeste muitos amigos no rugby, calculo eu. Hoje em dia fazem parte do teu núcleo mais restrito de amizades?
MF : Costumo dizer que os amigos que fiz no rugby são a minha verdadeira conquista. Muitas das minhas amizades mais próximas foram de facto construídas neste desporto e neste clube e tenho uma imensa sorte em consegui-las. Como já disse, muitos deixaram de jogar, outros ainda jogam ao meu lado e tenho-os muito bem guardados. Há uns meses fui à Argentina, ao casamento do Facundo Borelli, que jogou cá seis anos e viveu este clube como um verdadeiro belenenses. Foi uma viagem que também me ensinou muito sobre a amizade no rugby e que me mostrou, outra vez, como este é realmente um desporto especial nesse campo.

BR : Como vês o futuro do rugby do Belenenses agora que o Belenenses Rugby Park está em andamento e finalmente vamos ter um campo nosso ?
MF : Tento sempre olhar para o futuro do rugby do Belenenses com espirito crítico e construtivo. É impossível negar que este será um momento charneira para o nosso clube e que um campo nosso virá consolidar toda a estrutura do Belenenses. É um trabalho hercúleo conseguido só pela persistência, coragem e amor das antigas e actual direcções do clube, bem como de todos os adeptos e amigos do Belenenses, que se entregaram a esta ideia e a este projecto. Devemos estar agradecidos a todos, que estarão possivelmente representados nos Presidentes Manuel Costa e Miguel Freudenthal.
Ainda assim, parece-me importante destacar que com ou sem campo este clube sempre viveu e sempre viverá. O Belenenses é feito pelos seus dirigentes, treinadores, seccionistas, atletas (e os seus pais) e adeptos. É feito por pessoas. Não podemos olhar só para o campo como uma unidade solta, mas sim como um prolongamento de vontades e de trabalho e como uma célula que agrega todas estas pessoas, que são o sangue do Belém. É importante que a liderança do clube funcione numa relação estreita com tudo isto e que não se caia em entusiasmos exacerbados, ou desequilíbrios de gestão. Estou seguro que assim não acontecerá.
Dito isto, permitam-me acabar com a minha certeza de que tudo correrá bem e que o nosso futuro será brilhante. Obrigado por esta oportunidade e Viva o Belenenses!

BR : Obrigado Miguel pelo teu contributo para nosso Rugby e ao Belenenses
MF : Mais uma vez obrigado pela oportunidade!

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