Inolvidável vitória do XII do Belém
Doze, sim! Não é erro… O Belenenses venceu esta tarde na Tapada da Ajuda o campeão ibérico Agronomia, por 25-24, num jogo em que alinhou com trezes jogadores a partir de meio da primeira parte, e doze jogadores nos últimos vinte minutos.
Foi de facto um jogo que tão cedo não será esquecido por aqueles que - sendo adeptos de um clube ou do outro - decidiram passar esta tarde de sábado no belíssimo campo da Tapada da Ajuda, casa de Agronomia. Tratou-se de uma verdadeira batalha, que os belenenses em campo travaram com um coração e um querer verdadeiramente inspirador. Uma recordação que todos guardarão com grande emoção, e que passará a constar da história do Rugby azul em letras de ouro.
Sendo um jogo a contar para a 4ª jornada da fase regular, era sabido que não tinha (não tem) carácter minimamente decisivo… Mas a verdade é que os incidentes vividos ao longo dos jogo transformaram-no num objectivo que nenhuma das equipas queria deixar de alcançar: o Belenenses porque se viu reduzido a 12 elementos (expulsões por cartão vermelho a Sebastião da Cunha, João Uva e William Hafu), transformando a vitória numa questão de orgulho; Agronomia porque a jogar em casa, e com tão significativa superioridade numérica não podia deixar de conquistar a vitória e o ponto bónus.
Foi todavia o Belenenses quem mostrou mais querer e qualidade, jogando desde o início num estilo dinâmico e rápido. Assim, foi sem surpresa que se chegou ao momento da primeira expulsão da tarde com o marcador a registar 3-12 para o Belenenses, fruto de dois ensaios de belo efeito, o primeiro por Diogo Mateus (que combinou bem com Damian Steele, depois de precioso roubo de bola na touche, por Francisco Cabral que regressou à Tapada para um grande jogo ao serviço do Belém) e o segundo por João Mirra, que está em grande forma, e que aproveitou da melhor forma a notável arrancada de David Mateus, que correu praticamente todo o meio campo agrónomo, por entre placagens, para entregar a oval ao ponta internacional de Sevens.
A expulsão do terceira-linha azul colocava grandes dificuldades aos homens do Restelo, mas o quadro pior ficou quando a meio do primeiro tempo João Uva - o capitão - viu amarelo (falta num maul) seguido de vermelho directo, por supostas palavras dirigidas ao árbitro.
Agronomia passava a jogar com mais dois jogadores, mas continuava a demonstrar grandes dificuldades em marcar pontos, apesar de ter chegado ao ensaio por Duarte Cardoso Pinto, na sequência de uma jogada em que parece haver obstrução sobre João Mirra. Após conversão o marcador passava a registar 10-12, a favor do Belenenses, resultado que seria ampliado por Diogo Miranda para 10-15, imediatamente antes do intervalo.
As conversas de bancada prognosticavam “cabazada” a favor de Agronomia, já que parecia impossível a equipa azul aguentar fisicamente o jogo sem dois avançados internacionais e tão importantes na estrutura da equipa, e a verdade é que foi Agronomia quem marcou primeiro por Vasco Gaspar (depois de um passe adiantado de Cardoso Pinto) para 15-15, transformados em 17-15, depois da conversão de Joe Gardener.
A sorte do jogo parecia começar a pender para o lado da equipa da Tapada, mas um muitíssimo rápido contra-ataque azul , finalizado por Diogo Miranda, colocava o Belenenses novamente na frente do marcador (17-22).
Minutos mais tarde, e na sequência de uma placagem alta de Hafu sobre Joe Gardener, o árbitro mostrou o terceiro vermelho da tarde (todos a jogadores azuis) e o Belenenses passava a alinhar com doze elementos, e com cerca de quinze minutos para o final da partida. Se o coração dos azuis aguentava, até esse momento, uma importante desvantagem numérica, mais esforço foi pedido, e os doze bravos em campo mostraram - até ao final do jogo - porque razão esta equipa é actual campeã nacional e porque motivo tem tanto peso a camisola azul do Belenenses, com a Cruz de Cristo ao peito.
Agronomia carregava através dos seus avançados - mais uma vez optou por uma abordagem ao jogo de “Rugby de Dez” - mas o Belenenses defendia com tudo, e foram vários os turnovers conseguidos pelos doze bravos jogadores em campo. Por outro lado, numa das incursões ao meio campo defensivo dos agrónomos, Diogo Miranda mostrou impressionante frieza quando depois de um passe baixo e pressionado por adversários colocou o jogo em 17-25 com um magnífico drop, que dava aos azuis uma vantagem de oito pontos (ou seja, uma diferença pontual superior os sete pontos do ensaio convertido, obrigando assim Agronomia a marcar duas vezes para virar o resultado).
A dois minutos do fim do jogo Agronomia marcou mesmo, por Joe Gardner, mas já nada havia a fazer… O Belenenses vencia, e com inteira justiça, num jogo em que enfrentou inesperadas dificuldades.
Numa nota pessoal, direi que esta vitória foi para mim muito mais saborosa do que aquela conquistada em Maio, no Estádio Nacional, que valeu ao Belenenses o seu sétimo título nacional. É verdade que esta vitória não vale nada mais do que quatro pontos na tabela classificativa, mas hoje a equipa que esteve em campo foi verdadeiramente uma equipa do Belenenses, honrando com a sua postura, o seu esforço, o seu querer e a sua alma o clube que representa, e que cumpre este ano 80 anos de Rugby.
Parabéns, rapazes! Esta tarde é daquelas que nunca mais se esquecem. É uma daquelas tardes que nunca mais ninguém nos tira.
Como nota negativa do jogo, a indisciplina que valeu à equipa três vermelhos e potenciais castigos nas jornadas que se seguem, e que são de elevado grau de dificuldade (Direito e CDUL são os adversários que se seguem…).
Ficha de jogo:
Divisão de Honra, 4ª Jornada
Campo da Tapada, 25.10.2008 (15:00h)
Árbitro: Rohan Hoffmann
Belenenses (15) 25: F.Murteira, F.Borelli, E.Chirino, F.Vital, F.Cabral, Se.Cunha (CV), Sa.Cunha, J.Uva (capitão, CV), B.Nifo, D.Steele (2), J.Mirra (5), Di.Mateus (5), Da.Mateus, D.Pinheiro, P.Silva. No banco: C.Bernardo, W.Hafu (CV), L.Andrade, D.Moreira, D.Miranda (5+2+3+3), C.Gaspar e M.Onofre.
Agronomia (10) 24: G. Duarte, B.Duarte, V.Coelho, C.Stickling, C.Quadros, A.Duarte, J.Roux, J.Severino, L.Kadosh, D.Pinto (5), V.Gaspar (5), S.Engelbrecht, F.Mira, R.Sacadura, J.Gardener (CA, 3+2+2+5+2). No banco: R.Aguiar, J.Castro, J.Pratas, G.David, G.Albergaria, D.Coelho e A.Pinto.












Sáb, 25 Out, 2008