Entrevista com Pedro Rocha e Melo
Com o Campeonato Nacional Sub-20 a começar, o Site Belenenses Rugby conversou com o capitão da equipa belenense do escalão, o defesa Pedro Rocha e Melo.
Os azuis, que são Campeões Nacionais em título, partem para a nova temporada com expectativas altas, que passam sobretudo pela continuação da boa evolução da equipa e dos seus jogadores, certos de que o caminho não será fácil, quer pelo valor dos adversários, quer pelas dificuldades que em regra se levantam aos jogadores deste escalão etário.
Para além de jogador internacional nos escalões de formação, Pedro Rocha e Melo é treinador nas Escolinhas de Rugby da Galiza (Cascais), experiência acerca da qual falou ao nosso site.
ENTREVISTA
Site: Pedro, podes apresentar-te aos leitores do Site Belenenses Rugby?
Pedro R.M.: Olá a todos. O meu nome é Pedro Rocha e Melo, tenho 18 anos e faço parte da equipa de sub-20 de rugby do Belenenses. Comecei a jogar no 1º ano de Iniciados (agora sub-16), com 13 anos, a convite de alguns grandes amigos e companheiros de equipa destes últimos anos. Tenho muitos primos a jogar no Direito e foi com eles que aprendi algumas coisas básicas sobre esta modalidade. Ainda assim, a proximidade do Estádio do Restelo de minha casa e o facto de ter no Belenenses alguns conhecidos, fizeram-me naquela altura optar pelo nosso clube.
Site: Que papel tem o Rugby na tua vida e na tua formação como homem?
Pedro R.M.: Desde cedo que me lembro de ver em cartazes e de ouvir por aí que o Rugby é uma escola para a vida! Nunca duvidei mas sempre achei, no mínimo, uma frase um bocadinho estranha. A verdade é que, à medida que fui evoluindo e aprendendo mais com este desporto fui crescendo como jogador e muito como pessoa.
É engraçado como, no meio de tanto contacto físico, disputa de bola, placagens e muita “luta”, o Rugby transmite-nos valores como espírito de equipa, sacrifício, humildade, honra, garra, dedicação, ambição, auto-controlo, entreajuda… Por isso, creio, se diz que o rugby é um desporto de selvagens praticado por Senhores.
No rugby tenho aprendido também duas coisas que me acompanham muito na vida diária: liderança e a ser humilde nas vitórias e persistente nas derrotas.
Site: Estás na tua segunda época nos Sub-20, e este ano és capitão de equipa. Que responsabilidades especiais pensas ter, nessa condição?
Pedro R.M.: Acho que um capitão deve ser a alma do grupo. Deve viver um compromisso maior do que qualquer outro jogador da equipa. Acho que deve ser a cara da equipa, no sentido em que espelha todos os valores e objectivos que a equipa, como um todo, escolheu para si. Em Schoenstatt aprendi que quando um capitão é medíocre a equipa é má, quando um capitão é bom a equipa é medíocre, quando o capitão é soberbo a equipa é boa… Não importa “a braçadeira”! Neste capítulo o que conta é a atitude e uma equipa ganha quantos mais “capitães” tiver…
Sempre que me for pedido para liderar esta equipa fá-lo-ei, é claro, com todo o gosto…
Site: No ano passado tínhamos uma equipa muito jovem, cheia de jogadores sub-18, como tu. Sentiste dificuldades de adaptação ao novo escalão?
Pedro R.M.: Sim, sem dúvida. Quando mudamos de escalão existem sempre uma série de condicionantes do jogo que mudam bastante. A rapidez do jogo, a intensidade, a exigência psicológica, o contacto físico… No entanto, formámos um bom grupo logo ao início. Foi pena não termos conseguido mantê-lo até ao fim.
Site: Que expectativas tens para este ano, no que diz respeito à evolução técnica e ao nível da mentalidade, no seio da equipa?
Pedro R.M.: Tenho, como sempre, grandes expectativas. Queremos acima de tudo crescer como equipa, crescendo também cada um individualmente, em todas as vertentes física, técnica, táctica e humana.
Queremos ganhar jogos, competições, trabalhando de semana para semana tendo sempre uma evolução positiva. Acho que temos ao nosso alcance grandes feitos. Se quisermos podemos atingir altas metas… As expectativas são altas!
Site: O escalão Sub-20 (antes, júnior) é aquele em que parece ser mais difícil motivar um jogador a entregar-se ao treino e à competição. É nos Sub-20 que se dão a maior parte das desistências. Em tua opinião, porque é que isso acontece, e de que forma acreditas que se pode inverter esse cenário, motivando os jogadores a prosseguirem o seu percurso nos seniores?
Pedro R.M.: Penso que no escalão sub.20 há duas coisas que podem entrar em conflito: a universidade e a exigência dos treinos. No entanto, é tudo perfeitamente conciliável. Creio que com uma boa organização do tempo, podemos fazer muitas coisas. Como dizem os mais velhos: há tempo para tudo! Não podemos esquecer também que a decisão de pertencer ou não a uma equipa é completamente pessoal.
Pode sempre acontecer a qualquer um, em qualquer altura do seu percurso desportivo, perceber que não quer jogar mais rugby e que tem outras prioridades na sua vida.
Relativamente à motivação dos jogadores para continuarem nos seniores, penso que não há muito mais a fazer. Os títulos e conquistas são muito apelativos mas o que pode ajudar neste aspecto é a criação de um espírito de equipa muito forte, em que todos se sintam muito bem. Isto para mim supera os títulos e seria uma razão mais pesada para um jogador decidir continuar a sua carreira.
Site: Para além do teu percurso como jogador, tens colaborado na Escolinha de Rugby da Galiza, um projecto muito interessante, que corta um pouco com a tradição do Rugby como modalidade de “elite”. Como tem sido essa experiência?
Pedro R.M.: Tem sido, sem dúvida alguma, a experiência mais forte da minha vida! Não posso ver a Escolinha como um clube que represento mas sim como a minha segunda família. Lá conheci algumas das pessoas que mais admiro, tenho aprendido muito e sinto-me mesmo realizado. Identifico-me perfeitamente com os valores que lá se vivem e, sendo um atleta de rugby, gosto imenso de poder, através desta modalidade, dar o meu contributo naquela “equipa”.
Desportivamente tem sido uma experiência exigente mas gratificante. Socialmente tenho aprendido e recebido muito, bem mais do que alguma vez poderei retribuir. Tenho aprendido a pertencer a uma equipa onde TODOS (na Escolinha temos uma enorme mistura de raças, cores, países, feitios, estaturas…) têm um lugar onde são mesmo precisos.
Muitas vezes é bastante cansativo e frustrante mas a recompensa é inigualável! Todos, sendo portugueses, africanos, romenos ou chineses, vivendo em vivendas, apartamentos ou barracas, com muito ou pouco dinheiro, tendo muitas ou nenhumas condições, somos iguais! Todos temos direito a mais uma oportunidade, a lutar pelos nossos sonhos, sejam eles quais forem, a procurar a felicidade, fazendo feliz, em primeiro lugar, o irmão do lado.
O rugby, quando bem praticado e estruturado, é uma atmosfera onde podemos respirar todos estes valores e ideais. Por isso devemos conservar e lutar por este rugby que é uma escola para a vida!
Site: Por fim, gostava de te perguntar, como tenho feito a todos os jogadores entrevistados para o nosso site, se achas que existe um estilo de jogo próprio do Rugby do Belenenses, que seja incutido nas nossas escolas e que se manifeste em campo?
Pedro R.M.: Penso que o Belenenses tem um jogo muito próprio que tem a sua principal arma a velocidade no ataque. Muitas vezes, falando da minha experiência destes últimos anos, fomos considerados uma equipa mais fraca por sermos mais baixos e fracos fisicamente que outras equipas como Direito, CDUL, Académica… A verdade é que a nossa garra e atitude defensiva aliadas à nossa determinação, velocidade e indiscutível técnica no ataque tem nos permitido fazer algumas surpresas. Penso que, acima de tudo, o Belenenses apresenta sempre equipas com grande potencial e uma atitude de muita humildade.
Site: Obrigado, Pedro. Boa sorte para 2008/2009 e felicidades para ti.












Qui, 6 Nov, 2008