1955/1956

O primeiro título nacional 

55_56_00.png

1956 é um ano de enorme importância para o Belenenses! Depois do processo que levou ao despejo do clube do seu antigo Estádio nas Salésias (entre a Ajuda e a Junqueira, em espaço adjacente à actual Escola Marquês de Pombal), é precisamente em 1956 que o clube inaugura o Estádio do Restelo no local onde antes apenas existiam uma enorme pedreira.

O clube encontrava-se todo mobilizado para essa hercúlea tarefa de reerguer um complexo desportivo para acolher todas as modalidades praticadas de camisola azul, mas as equipas de competição não desprezavam a sua preparação para as provas em que se encontravam envolvidas… e a equipa de honra de Rugby fez do ano de 1956 um dos mais gloriosos anos dos quase 80 que conta a secção.

A temporada iniciou-se em Novembro de 55, com o Torneio de Abertura durante o qual se disputava a Taça António Valente, instituída em memória de António Ornelas Valente, jogador e fundador do Grupo Desportivo de Direito falecido tragicamente aos 24 anos de idade a praticar caça-submarina.

O Belém A (a equipa de Honra) teve nesta competição uma actuação algo discreta, tendo terminado a 1ª fase em 2º lugar do Grupo B em igualdade pontual com o Direito. Todos julgavam que o Belém seria a segunda equipa apurada do seu grupo para as meias-finais (já que tinha sobre os advogados vantagem no número de ensaios marcados), mas a verdade é que os dois emblemas foram mesmo ao jogo de desempate (disputado no Campo Grande), o qual foi vencido pelo Belenenses, por 6-0 (0-0 ao intervalo), no dia 11/12/1955. Pelos azuis marcaram Lince e Matos Lopes.

Sobre este jogo, referia o Jornal Record que «o encontro valeu, principalmente, pelo que se jogou no 1º tempo, em que na verdade, qualquer das equipas caprichou no jogo à mão». O mesmo jornal destacava a exibição do defesa azul José Roque - capitão de equipa e por muito considerado o melhor jogador da sua era -, escrevendo-o como «seguríssimo» e assinalando o seu jogo ao pé bem como os contra-ataques por si iniciados. O jornalista do prestigiado jornal criticava o árbitro, referindo que os jogadores azuis haviam usado placagens tardias sem a devida punição, mas terminava considerando a arbitragem do Dr. Rafael Claro como equilibrada, «não beneficiando qualquer das equipas».

O Belenenses estava apurado para as «meias» da Taça António Valente, e o adversário seria o CDUL. No Jornal «A Bola», escrevia-se a 15/12/1955 que estavam apuradas para a fase decisiva da competição os «três grandes mais o promissor CDUL».

Na antevisão do embate, o Record considerava que o Belenenses se encontrava «nitidamente menos valorizado» na época que iniciava, sobretudo ao nível do seu bloco avançado, mas destacava a dupla de médios bem como, em termos individuais, o defesa Roque e o centro Cunha Reis.

A meia-final teve lugar na manhã de 18/12/1955, e o resultado foi um empate a 3 pontos, com Gil Mendes - médio de abertura do Belém - a marcar uma penalidade para os azuis. Assim, e enquanto o Benfica seguia para a final depois de bater o Sporting por 12-6, Belenenses e CDUL viam-se na necessidade de realizar um jogo de desempate.

Sobre o empate com o CDUL escreveu Hernâni Pinheiro no Jornal do Belenenses: «Todos os que tiveram oportunidade de se deslocar aquele campo, devem ter assistido a uma das mais belas partidas de râguebi que se disputaram esta época, o que vai sendo hábito sempre que estas duas equipas se defrontam». A mesma publicação referia todavia que o Belenenses apresentou protesto no final do encontro, já que o CDUL substituiu um elemento durante a 2ª parte, o que na época não era permitido pelo regulamento.

55_56_01.png

Já em 1956, poucos dias depois da passagem de ano, o Record de 7 de Janeiro confessava a sua dificuldade em vaticinar um vencedor, tal o equilíbrio verificado entre os dois XV’s nos jogos anteriores. Todavia, no dia seguinte, o jogo correu de feição aos universitários, que dominando durante a 1ª parte venceram um jogo muito fechado nos avançados, por 8-6. No Belém destaque para Lince, considerado o melhor dos azuis.

O CDUL acabaria por bater o Benfica na final.

No primeiro número do Jornal do Belenenses após o início de 1956, Hernâni Pinheiro chamava a atenção para o facto de ser o Belenenses a equipa que melhor nível de jogo havia apresentado em 1955, considerando assinaláveis o progresso técnico e táctico da equipa. Lembrava a convocação de cinco jogadores azuis para a equipa lusa que havia realizado uma interessante digressão a Espanha e França, e referia - com razão - que o progressivo aumento do nível do Rugby nacional exigia dos atletas muitos treinos e dedicação. Os destaques de Hernâni Pinheiro foram todavia para o Comandante Maia Loureiro, pela sua dedicação ao Rugby e o seu «amor à Arte» e para o capitão Roque, «que no Belenenses tem tido muito trabalho, jogando e orientando as equipas na ausência do treinador».

Interessante, ainda no que diz respeito a este artigo publicado a 06/01/1956, é referir a então anunciada criação do Núcleo dos Amigos do Râguebi, «que se propõe auxiliar a modalidade dentro do Belenenses», bem como registar as estratégias da secção para fazer face aos encargos. De entre as fontes de receitas, uma nota especial para as multas aplicadas aos jogadores por faltas a treinos e jogos…

A 29 de Janeiro iniciava-se o Campeonato de Lisboa, a mais importante competição daquele tempo. Os emblemas participantes foram o Belenenses, Benfica, Agronomia, Sporting, CDUL e Direito.

55_56_02.png

O Belém iniciou a prova da melhor forma, vencendo (e convencendo) o Benfica por 6-0, no Campo Grande. Hernâni Pinheiro destacava, a 3 de Fevereiro, o belo jogo da avançada azul e o grande jogo dos médios, considerando que «os três-quartos fizeram um jogo menos brilhante».

O Belenenses iria conseguir manter-se sempre na frente do Campeonato, assegurando já durante o mês de Maio o título de campeão lisboeta, em jogo disputado nas Salésias, contra a equipa de Agronomia, que terminou com o resultado de 59-3 (que foi então apresentado pela imprensa como o mais desnivelado resultado entre equipa de honra da história do Rugby luso).

55_56_03.png

O Jornal Record escrevia a propósito da vitória azul que «na época actual, os azuis alardeando uma superioridade que os próprios adversários têm reconhecido, fruto de um trabalho de profundida que apenas agora começa a dar os seus frutos, conseguiram tornear todas as dificuldades e chegar ao final da prova sem derrotas»… Curioso é comparar as observações de Maio de 56 com aquelas publicadas pelo menos jornal antes da meia final da Taça António Valente, transcritas em cima.Ainda durante a época 1955/1956 tem lugar, por proposta da Académica de Coimbra (durante uma reunião da Associação de Rugby de Lisboa), o primeiro Campeonato Nacional de Rugby. A prova, devidamente autorizada pela Direcção Geral dos Desportos, foi disputada entre os estudantes e a equipa vencedora do Campeonato de Lisboa: o Clube de Futebol «Os Belenenses».

O jogo decisivo decorreu na cidade de Coimbra, e antecedeu um encontro de futebol entre a Académica e a equipa campeã de Angola, o Ferroviário de Luanda. No final, o Belenenses sagrar-se-ia o primeiro Campeão Nacional da história do Rugby português, ao bater a AAC por 40-0. O XV das Salésias era naquela época muito forte, e a década de 50 foi de facto uma era de ouro para os homens da oval que envergavam a camisola azul com a Cruz de Cristo bordada.

A prova foi organizada sob a égide da Associação de Rugby de Lisboa, já que a Federação Portuguesa de Rugby apenas seria fundada a 23 de Setembro de 1957, precisamente um ano após a inauguração do Estádio do Restelo, actual sede do Belenenses e casa da sua equipa sénior de Rugby.

Sagraram-se campeões nacionais os seguintes jogadores: Vasco Dioniso, Félix Mendes, Raúl Cravo, Antunes Costa, Cândido Bernardes, Dr. Manuel Martins, Gil Castro, Orlando Matos, Carlos Dechet, Fausto Martins, José Roque, Fernando Vince, Cunha Reis, Mário Durand e Jorge Almeida. O treinador era o Comandante Maia Loureiro, e o dirigente directamente ligado à equipa, Hernâni Pinheiro.

O Rugby era então - mais do que hoje - uma modalidade 100% amadora, que vivia da carolice dos seus praticantes, técnicos e dirigentes. A equipa do Belenenses treinava duas vezes por semana, às 4ªs e 6ªs, pelas 7 horas da manhã, num pelado das Salésias… A relva apenas chegaria ao Rugby azul - temporariamente - quando em Setembro de 1957 o Estádio do Restelo foi inaugurado. Com a passagem da equipa de Futebol para o novo palco, o exclusivo que esta detinha sobre o Estádio José Manuel Soares desapareceu, e o nosso XV passou a treinar e jogar em relva… um luxo para a época!

Sobre este acontecimento escreveu com orgulho mas também alguma mágoa Hernâni Pinheiro, no Jornal do Belenenses:

«O Belenenses, Campeão Nacional!

Por Hernâni Pinheiro - Jornal do Belenenses (1956*)

Realizou-se o primeiro Campeonato Nacional de Râguebi, grande aspiração de todos quantos andam ligados a esta bela modalidade desportiva e, inexplicavelmente, os jornais da especialidade quase não falaram no assunto. Somente em dois vimos os resultados e nada mais!

Ora se todos dizemos que andamos a lutar pela expansão do Râguebi e que trabalhamos para que a sua prática se alargue a mais alguns pontos do país, não podemos compreender porque se fez um silêncio tão grande acerca do jogo Associação Académica de Coimbra - Clube de Futebol «Os Belenenses», no qual se decidiu o título nacional.

Quando no início da época e numa das primeiras reuniões da Associação de Râguebi de Lisboa, um delegado da Académica presente, propôs que se disputasse este ano o primeiro campeonato nacional, ideia aceite com alegria por todos os presentes e parece-nos que todos os clubes que se dedicam ao Râguebi lá tinham os seus representantes. Passa o tempo, o Belenenses vence o Torneio Lisboeta e quando a maioria dos que assistiram àquela reunião se haviam esquecido já do que se tinha tratado, é a ARL que, seguindo pelo caminho direito, pede autorização à Direcção Geral dos Desportos, no que foi prontamente atendida, para que se disputasse um jogo entre a Académica e o Belenenses e que ao vencedor fosse atribuído o título de Campeão de Portugal. Portanto, será bom frisar que o Belenenses é Campeão de Portugal, mas oficialmente! Não percebemos porque, agora que este sonho de todos os râguebistas se realizou, não se fez a propaganda que o caso merecia e há até quem diga que não está certo que se realize um campeonato nacional nestes moldes. Isto não é trabalhar para o bem do Râguebi e parece-nos até que é «ser do contra»!

Mas para nós, belenenses, o que nos interessa é que oficialmente vencemos o primeiro Campeonato Nacional de Râguebi e só lamentamos que, para bem deste desporto, não se tenha falado um pouco no assunto.

Esperamos que na próxima época, seja qual for o vencedor do Campeonato de Lisboa, se faça mais propaganda do Campeonato Nacional, para bem do nosso desporto, que é o Râguebi.»

55_56_05.png

Melhor jogador da jornada.

    Untitled Document
    VS

    CDUL - BELENENSES


    Estádio Universitário de Lisboa
    11 de Março 2010 - 20h30
    1/2 Final da Taça de Portugal

    Untitled Document
    VS

    Belenenses - CRAV


    28-6


    [ver crónica]

    Untitled Document
       
    J
    P
    1.
    Agronomia
    12
    50
    2.
    Direito
    12
    46
    3.
    CDUL
    12
    43
    4.
    BELENENSES
    12
    39
    5.
    Benfica
    12
    22
    6.
    Académica
    12
    18
    7.
    Técnico
    12
    9
    8.
    CDUP
    12
    3
Advertise Here
Seis dos sete ensaios do Belenenses, na vitória sobre o Técnico por 51-0, nas Olaias.
Subscrever newsletter - clique aqui





 


 


   


Lusocede Cerveja Sagres New Time Mitsubishi McDonalds Deutsche Bank Oficina do Site Junta de Freguesia de Santa Maria de Belém Generis Maloclinic SPA Concept Ginsactiv Império Bonança
RSS Feeds